Rituais de interação na vida cotidiana: Goffman, leitor de Durkheim
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7984.2016v15n34p137Resumo
Este artigo propõe uma exegese da filiação de Goffman à sociologia durkheimiana, relacionando duas obras: Ritual de Interação e As Formas elementares da vida religiosa. Ele acentua dois aspectos que estimamos presentes nos dois autores: os ritos e a sacralidade do indivíduo e a dimensão moral da vida em sociedade. Para Goffman, os ritos de interação são ocasiões de afirmar a ordem moral e social. Num encontro face a face, cada ator social busca fornecer dele uma imagem valorizada, a “face” ou “valor social positivo que uma pessoa reivindica efetivamente através da linha de ação que os outros supõem que ela adotou no curso do contato particular”. Em Ritual de Interação, Goffman critica sociólogos e antropólogos sociais que, tomando por objeto a significação simbólica da sociedade moderna a partir de Durkheim, não levaram em conta a noção de alma, presente nas Formas elementares da vida religiosa. Após identificar as influências intelectuais e científicas na formação do habitus e do métier sociológico de Goffman, o texto propõe-se
a analisar noções como regras, alma, ritos, deferência e o porte, necessários para a compreensão da trama social na ordem da interação. Conclui-se expondo um quadro comparativo dos ritos tais como descritos por Goffman, decalcados a partir da tipologia durkheimiana. Espera-se que a leitura de Goffman à luz de Durkheim seja uma via de acesso à sociologia do primeiro, e uma forma de atualizar as contribuições do segundo na leitura da trama social da vida cotidiana.
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