Crianças, seus cérebros... e além: Reflexões em torno de uma ética feminista de pesquisa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n256169

Palavras-chave:

Ética Feminista de Pesquisa, Cuidado, Desenvolvimento Infantil, Virada Neurocientífica

Resumo

Nesse artigo, em interlocução com autores dos estudos da ciência assim como das teorias
feministas de cuidado, reflito sobre dilemas éticos associados à participação do cientista social na arena multidisciplinar das políticas públicas. Construo meu objeto de análise a partir de uma imagem que surge com frequência nos debates sobre políticas de proteção à infância que justapõe dois cérebros infantis — um etiquetado “normal”, o outro, “negligência extrema”. Ao rastrear, através de atores e situações concretos, a trajetória pouco ortodoxa desse artefato das neurociências, proponho reforçar uma visão crítica sobre os usos populares da ciência que tendem a ofuscar os juízes de valor implícitos em qualquer fato científico. Por outro lado, num exercício autorreflexivo, procuro entender como o “importar-se” da pesquisadora, nas suas diversas manifestações, tem implicações para o devir ético e político dos mundos sob consideração.

Biografia do Autor

Claudia Lee Williams Fonseca, UFRGS

Claudia Fonseca é professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil).  Seus interesses de pesquisa incluem parentesco, gênero, ciência e direito, com ênfase particular nos temas de direitos humanos e tecnologias de governo.  Além de recentes artigos em Horizontes Antropológicos, Mana, Cadernos Pagu, Política e Trabalho e Revista Reia,  é autora do livro Parentesco, tecnologia e lei na era do DNA, e co-organizadora (com Denise Jardim) de Promessas e incertezas da ciência: Perspectivas antropológicas sobre saúde, cuidado e controle.

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Publicado

2019-09-05

Edição

Seção

Artigos