Crianças, seus cérebros... e além: Reflexões em torno de uma ética feminista de pesquisa

Claudia Lee Williams Fonseca

Resumo


Nesse artigo, em interlocução com autores dos estudos da ciência assim como das teorias
feministas de cuidado, reflito sobre dilemas éticos associados à participação do cientista social na arena multidisciplinar das políticas públicas. Construo meu objeto de análise a partir de uma imagem que surge com frequência nos debates sobre políticas de proteção à infância que justapõe dois cérebros infantis — um etiquetado “normal”, o outro, “negligência extrema”. Ao rastrear, através de atores e situações concretos, a trajetória pouco ortodoxa desse artefato das neurociências, proponho reforçar uma visão crítica sobre os usos populares da ciência que tendem a ofuscar os juízes de valor implícitos em qualquer fato científico. Por outro lado, num exercício autorreflexivo, procuro entender como o “importar-se” da pesquisadora, nas suas diversas manifestações, tem implicações para o devir ético e político dos mundos sob consideração.


Palavras-chave


Ética Feminista de Pesquisa; Cuidado; Desenvolvimento Infantil; Virada Neurocientífica

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DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n256169

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.