Agrupamentos de travestis e transexuais encarceradas no Ceará, Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n157687

Palavras-chave:

Prisão, Gênero, Sexualidade, Processos de estado, Agrupamentos trans

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir a formação de agrupamentos de travestis e transexuais encarceradas no Ceará. Por meio de narrativas produzidas a partir de dados etnográficos, remeter-se-á às diferentes condições de aprisionamento para pessoas trans – em momentos, espaços e agrupamentos variados – que são mobilizadas por discursividades concernente à política de gestão dessa população. Com isso, pretende-se discutir processos de Estado que identificam, classificam e agrupam travestis e transexuais como “perigosas”, “menos perigosas” ou “vulneráveis” como forma de gestão operada por práticas discursivas no controle e vigilância dessa população quando em cumprimento de pena privativa de liberdade.

Biografia do Autor

Francisco Elionardo de Melo Nascimento, Universidade Estadual do Ceará

Bacharel em Serviço Social, Especialista em eduacação a Distância (UFC), Mestre e Doutorando em Sociologia Pela Universidade Estadual do Ceará

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Publicado

2020-06-05

Edição

Seção

Artigos