“A minha vida não pode parar”: itinerários abortivos de mulheres jovens

Nathália Diórgenes Ferreira Lima, Rosineide de Lourdes Meira Cordeiro

Resumo


Neste artigo objetivamos analisar como a classe e a raça constituem diferentes itinerários abortivos para mulheres jovens de uma região metropolitana do Brasil. Foram entrevistadas oito jovens com idades entre 19 e 28 anos, sendo quatro de classes populares e cinco de classes médias, três brancas e cinco negras. Como resultados, encontramos diferenças de classe e raça nos itinerários. As jovens brancas e de classes médias apresentam percursos mais curtos, conseguem dispor de uma rede de informações um pouco mais consistente e relatam um processo decisório mais conflitivo. As jovens negras e de classes populares narram itinerários mais longos, dispõem de uma rede de apoio mais precária e seus processos decisórios são mais imediatos.

 


Palavras-chave


Aborto; Rede de apoio; Mulheres jovens; Raça; Classe

Texto completo:

PDF

Referências


AQUINO, Estela et al. “Qualidade da atenção ao aborto no Sistema Único de Saúde do Nordeste brasileiro: o que dizem as mulheres?”. Ciência & Saúde Coletiva, Salvador, v. 17, n. 7, p. 1765-1776, abr. 2012.

BAJOS, Nathalie; FERRAND, Michelle. De la contraception à l’avortement: sociologie dês grossesses non prévues. Paris: Inserm, 2002.

BARBIERI, Teresita de. Sobre a categoria de gênero: uma introdução teórico-metodológica. Recife: Cadernos do SOS Corpo, 1993.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2006.

BRAH, Avtar. “Diferença, diversidade, diferenciação”. Cadernos Pagu, Campinas, n. 26, p. 329-376, jan./jun. 2006.

CARNEIRO, Sueli. “Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero”. In: ASHOKA EMPREENDIMENTOS SOCIAIS; TAKANO CIDADANIA (Orgs.). Racismos Contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano, 2003.

CARNEIRO, Monique; IRIART, Jorge; MENEZES, Greice. “Largada sozinha, mas tudo bem: paradoxos da experiência de mulheres na hospitalização por abortamento provocado em Salvador”. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 17, n. 45, p. 405-418, abr./jun. 2013.

CASTRO, Rosana. Itinerários do aborto clandestino: redes sociais e autoridades não-médicas. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 27, 2010, Belém. Anais... Belém: EDUFPA, 2010, p. 1-20.

CRENSHAW, Kimberlé. “A intersecionalidade da discriminação de raça e gênero”. Cruzamento: raça e gênero, UNIFEM, 2004. Disponível em http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2012/09/Kimberle-Crenshaw.pdf. Acesso em 23/06/2013.

COLLINS, Patricia Hill. “Rasgos distintivos del pensamiento feminista negro”. In: JABARDO, Mercedes (Ed.). Feminismos negros: una antología. Madrid: Traficantes de Sueños, 2012.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

DINIZ, Debora; MEDEIROS, Marcelo. “Itinerários abortivos em contextos de clandestinidade na cidade do Rio de Janeiro – Brasil”. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 7, p. 1699-1708, jul. 2012.

DINIZ, Debora; MEDEIROS, Marcelo; MADEIRO, Alberto. “Pesquisa Nacional do Aborto 2016”. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 22, n. 2, p. 653-660, set. 2017.

FLICK, Uwe. “Entrevista Episódica”. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (Orgs.). Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som. Petrópolis: Vozes, 2002.

GONZALEZ, Lélia. “A mulher negra na sociedade brasileira”. In: LUZ, Madel (Org.). O lugar da mulher: estudos sobre a condição feminina na sociedade atual. Rio de Janeiro: Graal, 1982.

GONZALEZ, Lélia. “Racismo e sexismo na cultura brasileira”. Ciências Sociais Hoje, Brasília, ANPOCS, n. 2, p. 223-244, 1983.

GUIMARÃES, Antônio Sérgio. “Racismo e anti-racismo no Brasil”. Novos Estudos, São Paulo, n. 43, p. 26-44, nov. 1999.

HEILBORN, Maria Luiza et al. O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Garamond e Fiocruz, 2011.

HOOKS, Bell. “Mujeres negras. Dar forma a la teoría feminista”. In: hooks, bell; BRAH, Avtar; SANDOVAL, Chela; ANZALDÚA, Gloria. Otras inapropiables: Feminismos desde las fronteras. Madrid: Traficantes de Sueños, 2004.

MARTINS, Ignez Ramos et al. “Aborto induzido em mulheres de baixa renda: dimensão de um problema”. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p. 251-266, abr./jun. 1991.

MENEZES, Greice; AQUINO, Estela; SILVA, Diorlene. “Aborto provocado na juventude: desigualdades sociais no desfecho da primeira gravidez”. In: CONGRESO DE LA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DE POBLACIÓN, 3, Córdoba, UNC. Anais... Córdoba: UNC, 2008. p. 1-18.

PAIS, José Machado. “A construção sociológica da Juventude: alguns contributos”. Análise Social, Lisboa, v. 25, n. 105-106, p. 139-166, 1990.

PINTO, Elisabete. Ventres livres: o aborto numa perspectiva étnica e de gênero. São Paulo: Terceira Imagem, 2002.

PIROTTA, Kátia Cibelle Machado; SCHOR, Néia. Considerações sobre a interrupção voluntária da gravidez a partir do discurso de estudantes universitários da USP, 2004. Disponível em http://www.abep.nepo.unicamp.br/site_eventos_abep/PDF/ABEP2004_430.pdf. Acesso em 12/12/2013.

PISCITELLI, Adriana. “Interseccionalidades, categorias de articulação e experiências de migrantes brasileiras”. Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 11, n. 2, p. 263-274, 2008.

SOUZA, Jessé. “‘Senso comum’ e a justificação da desigualdade”. In: SOUZA, Jessé (Org.). A ralé brasileira: quem é e como vive? Belo Horizonte: EDUFMG, 2009.

SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na Sociedade de Classes. Mito e realidade. São Paulo: Expressão Popular, 2013.

SAFFIOTI, Heleieth. “Rearticulando Gênero e Classe”. In: COSTA, Albertina; BRUSCHINI, Cristina (Orgs.). Uma questão de gênero. São Paulo: Rosa dos Tempos e Fundação Carlos Chagas, 1992.

VELHO, Gilberto. “Projeto, emoção e orientação em sociedades complexas”. In: VELHO, Gilberto (Org.). Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.




DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n158290

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 Licença Creative Commons
A Revista Estudos Feministas está sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.