Comicidade crítica e riso autodepreciativo: um estudo com mulheres palhaças

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n61738

Palavras-chave:

gênero, palhaçaria feminina, paródia, subjetividade

Resumo

O presente artigo propõe uma reflexão sobre as questões de gênero que envolvem as práticas da palhaçaria feminina, a partir do convívio e de entrevistas com um grupo de mulheres palhaças no Brasil. Trabalha-se a ideia de que os discursos sociais forjam os corpos e os padrões de gênero e, portanto, perpassam os processos criativos na palhaçaria. Com base no conceito de práticas parodísticas desenvolvido por Judith Butler, este trabalho busca pensar nos processos da palhaçaria feminina no seu caráter de paródia de si e em suas reverberações na criação de uma comicidade crítica e não autodepreciativa. Propõe-se o conceito de paródia a partir dos trabalhos de Judith Butler, Linda Hutcheon e Giorgio Agamben como forma de delinear a noção de paródia na qualidade de distanciamento crítico e na possibilidade de afetar os modos de subjetivação das artistas.

Biografia do Autor

Ana Carolina Muller Fuchs, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

ANA CAROLINA MULLER FUCHS é artista-palhaça, professora de teatro e pesquisadora. É graduada em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas, mestre e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professora de teatro do Colégio de Aplicação dessa universidade

Gilberto Icle, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

GILBERTO ICLE é ator, diretor e pesquisador. É graduado em Teatro, mestre e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, é professor permanente no Programa de Pós-Graduação em Educação dessa universidade e no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade de Brasília. É editor-chefe da Revista Brasileira de Estudos da Presença. Bolsista de Produtividade 1D do CNPq.

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Publicado

2020-12-18

Edição

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Artigos