‘Alfinetar’: currículos, ódios e gêneros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n71684

Palavras-chave:

currículo, tsunami, ódio, conversa

Resumo

O artigo parte da reclamação feita por uma pessoa, estudante do curso de Pedagogia/Licenciaturas numa universidade pública, na prova final, na qual alega sentir-se ‘alfinetada’ em seu modo de pensar e existir pelas conversas realizadas durante as aulas. O ‘alfinetar’ é capturado e usado como bússola para percorrermos os debates que aconteceram nas aulas. Nesse manuscrito, os fios dessas redes de conhecimentos e teorias curriculares exibem nós de preconceitos e ódios contra quem não é seu ‘próximo’, assumindo o desejo de aniquilação do outro e de apagamento da diferença. Concluímos que é possível apontar relações entre as conversas complicadas travadas nas aulas e provas e o contexto do tsunami neoliberal global de fortes tendências conservadoras.

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Publicado

2020-12-18

Edição

Seção

Dossiê Inflexões feministas e agenda de lutas no Brasil contemporâneo