A despatriarcalização de Deus na teologia feminista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n373607

Palavras-chave:

patriarcado, teologia feminista, nomeação divina, linguagem metafórica

Resumo

Neste artigo, analisamos a importância da linguagem para a compreensão do divino e de nós mesmas/os pelo exame das nomeações clássicas que foram identificadas com figuras historicamente patriarcais. Ao fazer este percurso, evocando a estratégica da hermenêutica bíblica feminista, objetivamos desconstruir estas identificações e ressituá-las metaforicamente; privilegiar nomeações que se afastam da normatividade masculina para se referir a Deus. Geralmente, estas imagens estão associadas a um poder patriarcal, onde predomina uma linguagem metafísica e objetiva. Não obstante, quando essas imagens estão associadas a relações de reciprocidade, de inclusão das diferenças e do respeito da pluralidade, a linguagem é predominantemente metafórica. Além de estabelecer o contraste entre essas duas formas de linguagem, nossa hipótese é de que esta última é a mais adequada para se referir a Deus na época atual.

Biografia do Autor

Jaci de Fátima Souza Candiotto, Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Jaci de Fátima Souza Candiotto (j.candiotto@pucpr) é professora do Mestrado em Direitos Humanos e Políticas Públicas (PUCPR) e do curso de Teologia da PUCPR. Possui Pós-doutorado no Institut Catholique de Paris, França (2014-2015), Doutorado em Teologia (2012) e Mestrado em Teologia (2008) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002).

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Publicado

2021-12-10

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Artigos