Gênero e desejo: a inteligência estraga a mulher?

Maria de Lourdes Borges

Resumo


Neste artigo, eu analiso a idéia de que a inteligência é um atributo erótico do homem, enquanto a beleza é o que torna uma mulher atraente. Eu inicio por Immanuel Kant, filósofo do século XVIII, segundo o qual uma mulher inteligente pode despertar a admiração de um homem, mas não desejo e amor. Mais do que isso, uma mulher inteligente, mesmo que bela, perderia seu poder sobre os homens, pois a inteligência arruinaria a atratividade feminina. Eu mostro que essa visão antiga ainda está em voga atualmente. Muitos autores defendem a visão de que o que torna uma mulher atraente para um homem é a beleza, a inteligência sendo negativa ou indiferente. Alguns teóricos inclusive atribuem esse fato a uma essência natural do ser humano. Eu contesto essa visão, mostrando que a beleza tem um aspecto cultural e que não podemos falar de uma essência não-histórica do ser humano.


Palavras-chave


gênero; desejo; beleza; inteligência

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DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2005000300012

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.