Do vegetal ao digital em Árvore, de Rui Torres

Vinícius Carvalho Pereira

Resumo


Na contramão da invisibilidade que as plantas recebem usualmente nos discursos cotidianos e literários, Árvore, obra eletrônica de poesia generativa ideada por Rui Torres (2018), dá papel de destaque às espécies vegetais endêmicas da região norte de Portugal. Recombinando trechos de poemas canônicos lusitanos do século XX nos quais figuram imagens de plantas, o software mobiliza uma estrutura reticular intertextual para compor novos versos que revelam hibridizações de poemas e de espécies vegetais distintas, bem como uma aproximação entre os campos semânticos da botânica e da escrita. Para a análise de tal obra digital, o presente artigo se volta para a lógica subjacente ao funcionamento de Árvore e para alguns de seus possíveis produtos poéticos, adotando como lentes analíticas metáforas conceituais da esfera da vegetalidade, tais como ecossistema, memória vegetal, rizoma, enxertia e plagiotropismo. Por meio dessa investigação, evidencia-se a complexa trama intertextual inerente aos processos de geração poética de Árvore, os quais, a seu turno, postulam um procedimento de leitura que deve ser também rizomático, a meio do caminho entre o botânico e o digital.


Palavras-chave


Árvore; Gerador De Poemas; Vegetalidade; Rui Torres

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DOI: https://doi.org/10.5007/1807-9288.2019v15n1p137



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