A emergência e a expansão de usos linguísticos inovadores em comunidade de práticas: o caso de {-ste} na página tal qual dublagens

Autores

  • Kamilla Oliveira do Amaral Universidade Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8420.2020v21n1p168

Palavras-chave:

Usos linguísticos inovadores, Expansão semântico-pragmática e categorial, Gramaticalização

Resumo

O objetivo deste estudo é analisar, em perspectiva sincrônica, como se dá a emergência e expansão de novos usos do item {-ste}, em ocorrências como Mana, tu arrasaste;  Eu já compreistes o meu fuleira!!!!; Cadeeestes demoniia!?!? e Manaa acho que tey boystes já terminou o serviço!, coletadas em posts e comentários de um site de rede social, a página Tal Qual Dublagens no Instagram, vista como uma comunidade de práticas (ECKERT, 2006). Porque os novos usos do item em questão parecem envolver expansão da base contextual a que {-ste} se agrega; semântico-pragmática e categorial, o interpretamos como uma hipótese de gramaticalização como expansão. Para dar suporte teórico a esta análise, nos baseamos em discussões propostas por Traugott (2002, 2008, 2010), Hopper e Traugott (2003) e Heine et al. (1991).

Biografia do Autor

Kamilla Oliveira do Amaral, Universidade Federal de Santa Catarina

É graduada em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Mestra em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Desenvolve pesquisas na área da Sociolinguística Variacionista, com enfoque na documentação e análise de fenômenos na escrita e fala manauara, sobretudo aqueles advindos das interações em sites redes sociais (SRS) e na discussão sobre língua, estilo e identidade. Atuou como bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, durante os anos de 2014 a 2016 e participou do Projeto Oficina de Formação em Serviço no mesmo período pela UEA. Atuou em regime de Estágio Docência na Universidade Federal de Santa Catarina na disciplina de Sociolinguística. Participa dos Projetos Fala Manauara Culta e Coloquial (FAMAC), Variação Linguística da Região Sul (VARSUL) e Laboratório de estudos em variação linguística e práticas pedagógicas (LabVAR).

Referências

AMARAL, K. O. do. Enfraquecimento das fricativas na fala manaura retratado na página Tal Qual Dublagens. 2016. 19 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Letras). Universidade do Estado do Amazonas, 2016.

AMARAL. K. O. do. Emergência de usos, variação e identidade: o caso de {-ste} na página Tal Qual Dublagens. 2020. 257 f. Dissertação [Mestrado em Linguística] – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2020.

BERÇOT-RODRIGUES, S. F. A realização da fricativa glotal na fala manauara. 2014. 98 f. Dissertação [Mestrado em Letras] – Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2014.

BYBEE, J. Mechanisms of change in grammaticization: the role of frequency. In: JOSEPH, B.; JANDA, R.D. (Eds.) The Handbook of historical linguistics. Oxford: Blackwell Publishing Ltd., 2003.

BYBEE, J. Language, Usage and Cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

BYBEE, J. From usage to grammar: the mind’s response to repetition. Language, v. 82, n. 4, p.711-733, 2006.

BYBEE, J.; HOPPER, P. Frequency and the emergence of linguistic structure. Amsterdam/ Philadelphia: John Benjamins, 2001.

ECKERT, P. Communities of Practice. In: Brown, K; Anderson, A. H. (eds.). Encyclopedia of Language and Linguistics, Vol. 2, Oxford, Elsevier: 2006, p. 683-685.

GIVÓN, T. Functionalism and Grammar. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing, 1995.

HEINE, B.; CLAUDI, U.; HÜNNEMEYER, F. Grammaticalization: a conception framework. Chicago: University of Chicago Press, 1991.

HEINE, B.; KUTEVA, T. The Genesis of Grammar: a reconstruction. New York: Oxford University Press, 2007.

HINE, C. Virtual Ethnography. London: SAGE Publications, 2000.

HOPPER, P; TRAUGOTT, E.. Grammaticalization. 2 ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. E-BOOK.

HOPPER, P. Emergent grammar. In: Berkeley Linguistics Society, n. 13, p. 139-157, 1987.

HOPPER, P. On some principles in the grammaticalization. In: TRAUGOTT, E. C.; HEINE, B. (eds.) Approaches to grammaticalization. Amsterdam /Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1991. v. 1 e 2., p.7-35.

KIESLING, S. F. Constructing Identity. In: CHAMBERS, J. K.; TRUDGILL, P; SCHILLING, N. (eds.) The Handbook of Language Variation and Change. 2 ed. Oxford, U.K.: Blackwell, 2013, p. 448-467.

KÖVECSES, Z. Metaphor: A Practical Introduction. (2nd Ed.) New York: Oxford University Press, 2010.

LEHMANN, C. Grammaticalization: synchronic variation and diachronic change. Lingua e stile, n. 20, p. 303-318, 1985. Disponível em: http://www.christianlehmann.eu/publ/syn_dia.pdf.

LOPES, R. S. A persistência e a decategorização nos processos de gramaticalização. In: VITRAL, L.; COELHO, S. (orgs). Estudo de processos de gramaticalização em português: metodologias e aplicações. São Paulo: Mercado das Letras, 2010.

TAVARES, M. A. A gramaticalização de E, AÍ, DAÍ e ENTÃO: estratificação/variação e mudança no domínio funcional de sequenciação retroativa-propulsora de informações – um estudo sociofuncionalista. 2003. 286 f. Tese [Doutorado em Linguística] – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

TRAUGOTT, E. The role of the development of discourse markers in a theory of grammaticalization. Paper presented at ICHL XII, Manchester: Stanford University, p. 1-29, 1995.

TRAUGOTT, E. Pragmatic strengthening and grammaticalization. Proceedings of the Annual Meeting of the Berkeley Linguistics Society, p. 406-416, 1988.

TRAUGOTT, E. From etymology to historical pragmatics. In: MINKOVA, D.; STOCKWELL, R. (eds.). Studying the History of the English Language: Millennial perspectives. Berlin: Mouton de Gruyter, 2002. p. 19-49.

TRAUGOTT, E. "All that he endeavoured to prove was...": On the emergence of grammatical constructions in dialogic contexts. In: COOPER, R.; KEMPSON, R. (orgs.). Language in Flux: Dialogue Coordination, Language Variation, Change and Evolution. Londres: Kings College Publications, p. 143-177, 2008.

TRAUGOTT, E. Grammaticalization. In: LURAGHI, S.; BUBENIK, V. (orgs.). Continuum companion to historical linguistics. London/New York: Continuum International Publishing Group, 2010. p. 269-283.

TRAUGOTT, E; KÖNIG, Ekkehard. The semantics-pragmatics of grammaticalization revisited. In: TRAUGOTT, E.; HEINE, B. (eds.). Approaches to grammaticalization: focus on theoretical and methodological issues. Amsterdam /Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, v. 1 e 2, 1991. p. 189-218.

RUIZ DE MENDOZA, F. J. On the nature and scope of metonymy in linguistic description and explanation: towards settling some controversies. In: Littlemore, J., Taylor, J. (eds.), Bloomsbury companion to Cognitive Linguistics (Forthcoming). London: Bloomsbury, 2014.

VALLE, C. R. M. Multifuncionalidade, mudança e variação de marcadores discursivos derivados de verbos cognitivos: forças semântico-pragmáticas, estilísticas e identitárias em competição. 2014. 415 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

VASCONCELOS, S. T. A interferência dialetal na representação gráfica de fricativas na escrita de manauaras. 2017. 24 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Letras). Universidade do Estado do Amazonas, Manaus, 2017.

Downloads

Publicado

2020-07-28