Quase-teatro: o pensamento escrita de Paula Glenadel

Manuela Quadra de Medeiros

Resumo


O último livro da escritora contemporânea Paula Glenadel, intitulado Rede (2014) é classificado, em sua ficha catalográfica, como poesia, mas é escrito em forma de peça de teatro. A própria autora refere-se ao trabalho do livro, em diferentes momentos, como “prosa poética teatralizada” e como um trabalho de “pensamento-escrita”. Diante dessa classificação escorregadia, característica cada vez mais comum da poesia contemporânea – considerada como um desdobramento da crise da poesia moderna – pensamos a escrita de Paula Glenadel como um quase-teatro em que o que está em jogo é a própria linguagem colocada em cena, ou a linguagem teatralizada. Para isso, partimos do pensamento de Jacques Rancière acerca do “teatro imóvel”, que seria uma nova ideia de pensar o teatro como um teatro sem ação.


Palavras-chave


Paula Glenadel; poesia contemporânea; teatro; Jacques Rancière

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DOI: https://doi.org/10.5007/2176-8552.2018n25p31



outra travessia, eISSN 2176-8552, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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