O espaço em A cabeça do santo, de Socorro Acioli: entre o espaço físico e o cultural
DOI:
https://doi.org/10.5007/2176-8552.2025.e99743Schlagworte:
A cabeça do santo, Socorro Acioli, Nordeste, Sertão, ReligiosidadeAbstract
Levando em consideração que há uma tradição representativa do sertão nas artes brasileiras, associando este espaço ao semiárido, misticismo, entre outros estereótipos definidores, neste artigo objetiva-se analisar a representação do espaço sertanejo, como categoria temática e estrutural, no romance A cabeça do santo, de Socorro Acioli (2014). Nessa obra, observamos que o sertão cearense, espaço da narrativa, se relaciona de forma intertextual com discursos tradicionais construídos sobre um Nordeste específico (Albuquerque Júnior, 2011), em relações de continuidades e rupturas de estereótipos cristalizados. Assim, analisamos, para além dos aspectos físicos, o espaço cultural permeado pela religiosidade, representada a partir de perspectivas diversas, a saber, como cosmovisão, fanatismo e elemento tendencialmente maravilhoso. Este último, em particular, se manifesta através de episódios insólitos, relacionados à crença religiosa. Para embasar essa pesquisa, faremos uso de algumas concepções teóricas, como as de Marçal (2009), Moraes (2014), Santini (2011), Todorov (1975) e outros. Esta abordagem permite uma investigação abrangente sobre como a representação do sertão em A Cabeça do Santo contribui para discussões mais amplas sobre identidade regional, narrativas culturais e simbolismo religioso na literatura brasileira.
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