O processo de reestruturação dos serviços de saúde mental e a construção da rede de atenção psicossocial de um município mineiro
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Resumo
Esse artigo teve como objetivo refletir sobre o processo de reestruturação dos serviços de saúde mental e a construção da Rede de Atenção Psicossocial de um município do Estado de Minas Gerais. Por meio da consolidação e análise de diversos documentos produzidos, desde o planejamento até o desenho final da RAPS, foi construído esse relato de experiência. Esse processo ocorreu a partir de um diagnóstico da Rede realizado nos anos de 2016 e 2017, discussão, planejamento e reestruturação da Rede que perdurou até meados de 2020. Para apresentação dessa análise foi realizada uma divisão entre os eventos que precederam a reestruturação, o próprio processo e os desafios e possibilidades que se apresentam para o presente e o futuro, de acordo com três eixos: (1) O diagnóstico - A (des)articulação dos serviços de saúde mental (2) A construção da RAPS (3) Os desafios e as potencialidades. Esse processo sinaliza a consolidação do processo sociopolítico com mudanças significativas na forma de tratar e entender as pessoas com transtornos mentais, evidenciando a postura ética, técnica e política de qualificar práticas para acolher, respeitar individualidades e promover integralidade e o acesso ao cuidado, transformando vidas cujas histórias remontam à exclusão e negação de direitos.
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