Percursos formativos na Rede de Atenção Psicossocial e a qualificação da atenção a pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas

Conteúdo do artigo principal

Larissa Weber
http://orcid.org/0000-0002-5278-245X
Roger dos Santos Rosa
https://orcid.org/0000-0002-7315-1200
Paula Andreza Ferreira da Silva

Resumo

O artigo apresenta um recorte de estudo avaliativo que resultou em dissertação de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem como objetivo apresentar as modificações nas práticas de atenção à saúde mental, em especial aquelas voltadas a pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas, decorrentes da participação de trabalhadores da Secretaria Municipal de Saúde de Guaíba/RS no projeto de educação permanente em saúde mental denominado “Percursos Formativos na Rede de Atenção Psicossocial: Intercâmbio entre experiências”. Para alcançar tais objetivos desenvolveu-se um estudo qualitativo, observacional, de cunho descritivo, cuja coleta de dados se deu através de entrevistas semiestruturadas individuais com 22 participantes e consultas a documentos pertinentes ao projeto. Os dados foram analisados à luz da análise de conteúdo proposta por Bardin. Como resultados, constatou-se que os princípios da Reforma Psiquiátrica, revisitados ao longo do Percurso, passaram a influenciar mais fortemente o planejamento das atividades diárias dos profissionais. Detectou-se maior clareza entre os trabalhadores quanto ao papel de cada serviço da Rede de Atenção Psicossocial e maior articulação entre a rede. Percebeu-se redução de estigmas associados à saúde mental de uma forma geral e com os usuários de álcool e outras drogas de modo particular e, por conseguinte, qualificação das práticas. Observou-se que o intercâmbio foi decisivo na solidificação das modificações na RAPS que estavam em curso, representando uma via bem-sucedida para impactar tanto na formação profissional quanto pessoal dos participantes, o que se mostra necessário em tempos de novos retrocessos.

Detalhes do artigo

Como Citar
WEBER, .; DOS SANTOS ROSA, . .; ANDREZA FERREIRA DA SILVA, . . Percursos formativos na Rede de Atenção Psicossocial e a qualificação da atenção a pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 13, n. 37, p. 225–243, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/80692. Acesso em: 5 dez. 2022.
Seção
Política de Saúde Mental no Brasil e Atenção Psicossocial
Biografia do Autor

Larissa Weber, Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da UFS

especialização em Saúde da Família e Comunidade pelo programa de Residência Integrada em Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (2011) e mestrado profissional em Ensino na Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2017). Atualmente é doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Santa Catarina e psicóloga da Prefeitura Municipal de Guaíba/RS.

Roger dos Santos Rosa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Médico, Doutor em Epidemiologia, Professor do Departamento de Medicina Social/UFRGS.

Paula Andreza Ferreira da Silva

Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica na Abordagem Centrada na Pessoa e Especialista em Saúde Pública.

Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Relatório Final da III Conferência Nacional de Saúde Mental. Brasília, 2001a, 213 p. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/bibliotca/Relatorios/saude_mental.pdf. Acesso em: 23 mar. 2021.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 05 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 23 mar. 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Humanização. Brasília, 2015. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/politica_nacional_humanizacao_pnh_1ed.pdf. Acesso em: 12 mai. 2020.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 1.996, de 20 de agosto de 2007. Dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e dá outras providências. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2007/prt1996_20_08_2007.html. Acesso em: 23 mar. 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Rede de Atenção Psicossocial. Brasília, DF: MS, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em: 16 mar. 2021.

BRASIL. Presidente da República. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília: DF, 2001b.Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm#:~:text=LEI%20No%2010.216%2C%20DE,modelo%20assistencial%20em%20sa%C3%BAde%20mental. Acesso em: 16 mar. 2021.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA EXECUTIVA/COORDENAÇÃO NACIONAL DE DST/AIDS. A Política do Ministério da Saúde para a atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. Brasília, 2003, 60p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pns_alcool_drogas.pdf. Acesso em: 23 mar. 2021.

CALDAS DE ALMEIDA, J. M. Política de saúde mental no Brasil: o que está

em jogo nas mudanças em curso. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 35, n. 11, p. e00129519, out. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311x00129519. Acesso em: 23 mar. 2021.

CONTANDRIOPOULOS, A. Avaliando a institucionalização da avaliação. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 11, n. 3, p. 705-11, jul/set. 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-81232006000300017. Acesso em: 23 mar. 2021.

CRUZ, N.F.O.; GONÇAVES, R.W.; DELGADO, P.G.G. Retrocesso da reforma psiquiátrica: o desmonte da política nacional de saúde mental brasileira de 2016 a 2019. Trabalho, educ. Saúde, v. 18, n. 3. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462020000300509. Acesso em: 15 dez. 2020.

FEUERWERKER, L. C. M. Micropolítica e saúde: produção de cuidado, gestão e formação. Porto Alegre: Editora Rede Unida, 2014.

IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). Cidades@. Rio Grande do Sul – Guaíba. Disponível em: http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=430930&search=rio-grande-do-sul|guaiba|infograficos:-informacoes-completas. Acesso em: 26 jun. 2021.

MACHADO, A. R; MIRANDA, P.S.C. Fragmentos da história da atenção à saúde para usuários de álcool e outras drogas no Brasil: da Justiça à Saúde Pública. Hist. cienc. Saúde – Manguinhos, v. 14, n. 3, p. 801- 821, jul.-set. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v14n3/06.pdf. Acesso em: 15 nov. 2019.

MERHY, E. E. Os CAPS e seus trabalhadores: no olho do furacão antimanicomial. Alegria e Alívio como dispositivos analisadores. In: MERHY, E. E.; AMARAL, H. organizadores. A reforma psiquiátrica no cotidiano II, p. 55-66. São Paulo: Hucitec, 2007.

OMS. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Relatório mundial de saúde, 2006: trabalhando juntos pela saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2007. Disponível em: http:// bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/i_capa.pdf. Acesso em: 23 mar. 2021.

SILVA, C. C. R. Da Punição ao tratamento: rupturas e continuidades na abordagem do uso de drogas. In: RAMMINGER, T; SILVA, M. Organizadores. Mais substâncias para o trabalho com usuários de drogas (1a ed.), p. 69-82. Porto Alegre: Rede Unida, 2014a.

SILVA, F. F. L. Afirmar a clínica com pessoas que usam drogas desde um lugar de resistência. In: RAMMINGER, T; SILVA, M. Organizadores. Mais substâncias para o trabalho com usuários de drogas (1a ed.), p. 69-82. Porto Alegre: Rede Unida, 2014b.

VARGAS, A. F. M; CAMPOS, M.M. A trajetória das políticas de saúde mental e de álcool e outras drogas no século XX. Ciência & Saúde Coletiva, v.24, n.3, p.1041-1050, 2019. DOI: 10.1590/1413-81232018243.34492016. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331813732_A_trajetoria_das_politicas_de_saude_mental_e_de_alcool_e_outras_drogas_no_seculo_XX. Acesso em: 14 dez. 2019.

YASUI, S. Rupturas e encontros: desafios da reforma psiquiátrica brasileira [online]. Rio de Janeiro, RJ: Editora FIOCRUZ, Loucura & Civilização collection, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9788575413623. Acesso em: 23 mar. 2021.

WEBER, L. Avaliação da primeira etapa do projeto “Percursos Formativos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS): Intercâmbio entre experiências” no município de Guaíba/RS. Dissertação de Mestrado. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017. 80 p.

WEBER, L.; ROSA, R. S; SANES, M. S.; CARAVACA-MORERA, J. A. Percurso Formativo na Rede de Atenção Psicossocial: inovação e transformação nas práticas em Saúde Mental. SMAD Rev Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drog. Ribeirão Preto, 2021. No prelo.