Para a defesa de uma ética ambiental antropocentrada

Magda Costa Carvalho

Resumo


Os debates produzidos pelas éticas ambientais contemporâneas tendem a recusar, na sua maioria, qualquer abordagem de fundo antropocêntrico, identificando esta postura com uma desvalorização absoluta da natureza em detrimento dos interesses humanos. Para além disso, é comum entenderem-se os interesses da espécie humana como uma instrumentalização abusiva do ambiente, sobretudo com a finalidade de produzir bem-estar social e económico.

A presente reflexão pretende contestar estas posições, promovendo uma distinção entre a legítima percepção e valorização da natureza a partir do ponto de vista humano e uma ilegítima atitude de arrogante desvalorização e instrumentalização do meio ambiente.

Procuraremos defender que o equilíbrio e a sustentabilidade bióticas dependem da promoção de uma atitude que tem sido caracterizada, entre os especialistas, como um antropocentrismo fraco ou moderado, e cujo alcance e potencialidades éticas não nos parecem ter recebido ainda a devida atenção.


Palavras-chave


natureza; ética ambiental; antropocentrismo; considerabilidade moral; pragmatismo ambiental

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DOI: https://doi.org/10.5007/1677-2954.2015v14n1p147

 

 

 

 

 

ethic@. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 1677-2954

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