Desafios da abstração e do letramento científico: uma análise do experimento de videoanálise no ensino de referencial e trajetória na 1ª série do ensino médio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2026.e110501

Palavras-chave:

Ensino de Física, Videoanálise, Software Tracker, Metodologia POE, Autonomia Estudantil

Resumo

Este trabalho analisa uma atividade experimental de videoanálise sobre os conceitos de Referencial e Trajetória, realizada com estudantes da 1ª série do Ensino Médio em uma escola pública estadual no Rio de Janeiro. A metodologia fundamentou-se na estratégia Predizer-Observar-Explicar (POE), utilizando o software livre Tracker para analisar o movimento de rodas de um veículo filmado na Rodovia Presidente Dutra (RJ). O objetivo foi investigar a transição entre a percepção visual e a abstração física necessárias à representação de trajetórias em diferentes referenciais. Os resultados revelam um hiato significativo entre a observação digital e a representação gráfica em papel, evidenciando dificuldades na transposição semiótica. Observou-se, ainda, uma profunda dependência da mediação docente devido a lacunas no letramento funcional e autonomia de leitura. Adicionalmente, a "distração tecnológica" (uso de jogos e redes sociais) apresentou-se como um obstáculo pedagógico, demandando intervenções restritivas para garantir o foco. Conclui-se que, embora a videoanálise seja uma ferramenta potente, sua eficácia no ensino de Física depende da superação de barreiras comportamentais e cognitivas que transcendem o conteúdo específico da disciplina.

Biografia do Autor

Luciana de Morais Dutra, Doutoranda

Possui graduação em Licenciatura em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007), especialização lato sensu em Ensino de Ciências e de Biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016) e mestrado em Ensino de Ciências com ênfase em Física pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO, 2019). Atualmente, é aluna do Doutorado Profissional no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ, campus Nilópolis), onde desenvolve pesquisa voltada ao engajamento de estudantes da 1ª série do Ensino Médio em Cinemática por meio do Laboratório Virtual de Cinemática (LaViC), produto educacional de sua autoria. É autora do livro Como avaliar: Ideias para avaliações formativas em Física na Educação Básica. Atua como técnica em laboratório de Física no Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ) e como diretora adjunta no CE Jornalista Rodolfo Fernandes (SEEDUC/RJ).

Alexandre Lopes de Oliveira, Instituto Federal de Educacao Ciencia e Tecnologia do Rio de Janeiro

Possui graduação em Física, Bacharelado (1994) e Licenciatura (2000), pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ; mestrado (1997) e doutorado (2003) em Ciências Físicas pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - CBPF. Atualmente é Professor Titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - IFRJ, Campus Nilópolis, onde atua: i) no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências - PROPEC, credenciado no Mestrado Profissional e no Doutorado Profissional; ii) nas Licenciaturas em Física, em Matemática e em Química e iii) no Ensino Médio Técnico. No IFRJ, contribuiu na construção do PROPEC, vinculado à área de concentração de Ensino na CAPES, e atuou como coordenador por sete anos, sendo credenciado no PROPEC desde a sua fundação. Atualmente, as atribuições profissionais no IFRJ são como coordenador do curso de Licenciatura em Física e como docente e orientador. Na pesquisa e desenvolvimento científico, tem experiência na área de Física da Matéria Condensada, com ênfase em Magnetismo, atuando principalmente nos temas, a saber: formação de momentos magnéticos e cálculo de campos hiperfinos de impurezas em matrizes ferromagnéticas e em intermetálicos. Na pesquisa em Ensino de Física, é interessado em temas relacionados a estratégias didáticas, aprendizagem ativa combinada à experimentação e às tecnologias digitais de informação e comunicação e desenvolvimento de materiais instrucionais didáticos pedagógicos.

Vitor L. B. de Jesus, Instituto Federal de Educacao Ciencia e Tecnologia do Rio de Janeiro

Graduado em Física pela Universidade Federal Fluminense (1993), mestre (1996) e doutor (2000) em Física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Realizou dois pós-doutorados em física atômica e molecular experimental: o primeiro no Laboratório Van de Graaff da PUC-Rio (2000-2002) e o segundo no Max-Planck Institut für Kernphysik, em Heidelberg - Alemanha (2002-2004). Atualmente, é Professor Titular do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - IFRJ - campus Nilópolis (anteriormente chamado Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis/RJ). Possui experiência na área de Física, com ênfase em Física Atômica e Molecular, atuando principalmente nos seguintes temas: Reaction Microscope - COLTRIMS, laser, ressonância, confinamento de partículas e ionização múltipla. Foi coordenador do curso de Licenciatura em Física durante dois anos (2006-2008) em sua instituição. Participou como coordenador de área da Licenciatura em Física no Projeto Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID/IFRJ) entre os anos de 2008 e 2015. Atua no curso de Licenciatura em Física no ensino de física experimental de Mecânica e Física Moderna, e no Programa de Pós-graduação de Ensino de Ciências - PROPEC/IFRJ.

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Publicado

2026-08-26

Como Citar

Dutra, L. de M., Oliveira, A. L. de, & Jesus, V. L. B. de. (2026). Desafios da abstração e do letramento científico: uma análise do experimento de videoanálise no ensino de referencial e trajetória na 1ª série do ensino médio. Caderno Brasileiro De Ensino De Física, 43(2), 271–296. https://doi.org/10.5007/2175-7941.2026.e110501

Edição

Seção

Ensino e aprendizagem de Ciências/Física