Uma abordagem perceptual dos róticos na fala de descendentes italianos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e105485

Palavras-chave:

Sociofonética, Róticos, Testes de percepção, Variantes

Resumo

Este estudo apresenta uma análise perceptual dos sons de r-forte em onset silábico inicial e medial, produzidos por descendentes de italianos da cidade de Rio do Sul-SC, na região do Alto Vale do Itajaí. Sob o olhar da Sociofonética, resultados de pesquisa anterior (Chaves, 2021) evidenciaram uma grande variedade e gradiência de algumas das produções desses sons. Foram encontradas produções de tepe ([ɾ]) em contexto de r-forte, além das variantes: vibrante, vibrante e tepes espirantizados, aproximante e fricativa. Em face desses resultados, foram realizados dois experimentos de percepção, com o objetivo de verificar como os ouvintes de dentro e de fora da comunidade pesquisada percebiam os estímulos, principalmente aqueles referentes ao r-forte. Resultados mostraram que a variante fricativa produzida na região estudada não foi percebida como uma fricativa típica do PB. Recorrendo a resultados obtidos por uma análise temporal dos dados (Chaves, 2021), este estudo apontou que, apesar de a média de duração da vibrante com duas batidas (62,17ms) ser mais longa do que a média de duração do tepe (26,61ms) em contexto de r-forte, isso não foi suficiente para que os ouvintes externos à comunidade pesquisada percebessem essa vibrante como r-forte. No entanto, para os ouvintes descendentes de italianos da cidade pesquisada, essa vibrante com duas batidas foi percebida como r-forte, evidenciando uma percepção heterogênea entre esses grupos, muito provavelmente em função de seu repertório de referências linguísticas.

Biografia do Autor

Maria Luíza Horneaux de Almeida Chaves, Fapesc

Mestrado em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (2021) com apoio da Capes. Bolsista Fapesc, Edital 57/2024 – processo nº 1659/2024

Izabel Christine Seara

Professora Titular da Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Linguística (2000) pela UFSC. Tem Pós-Doutorado pela Université Paris 3 - Paris-França (2012) e pela Universidade de Aveiro-Portugal (2019). É pesquisadora do CNPq - Processo n. 311804/2021-7.

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Publicado

2026-03-05

Edição

Seção

Artigo