O discurso como produtor da sexualidade e do corpo vigiado: Michel Foucault e o Curso de São Paulo (1975)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e112404Palavras-chave:
Discurso foucaultiano, Implantação perversa, Vigilância, Ditadura brasileiraResumo
Propomos, neste artigo, uma reflexão sobre a "Primeira Aula" dada por Michel Foucault no Curso pronunciado na Universidade de São Paulo (USP), em outubro de 1975. A temática da sua fala foi a genealogia do saber moderno sobre a sexualidade. Privilegiamos, especialmente, a crítica que ele realizou à “hipótese repressiva” e a sua noção de "micropoderes", prestando atenção no jogo entre o silenciamento e a proliferação dos discursos. Além disso, destacamos o contexto em que Foucault visita o Brasil: o da ditadura civil-militar, do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em 25 de outubro de 1975, e da missa ecumênica realizada em sua homenagem, com a presença de Foucault. Com isso, ressaltamos os dois principais objetivos deste texto. O primeiro deles é compreender como o conteúdo da “Primeira Aula” de Foucault na USP pode ser relacionado com dois mecanismos produtores da sexualidade no Brasil: nomear e patologizar as práticas sexuais consideradas desviantes. O segundo é verificar como o modo de funcionamento das relações de poder na ditadura brasileira, com ênfase para o Serviço Nacional de Informações (SNI) e suas redes de informação e monitoramento, incitou a produção de uma carta-manifesto e o cancelamento de aulas, bem como produziu um corpo vigiado: o do próprio Foucault.
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