Escrever para não morrer? Foucault e a escrita como prática de descontinuidade

Autores

  • Tiago Viotto da Silva Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Departamento de História. Bolsista FAPESP: Processo nº 2017/15656-0 https://orcid.org/0000-0002-4030-8558

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e112514

Palavras-chave:

Foucault, Morte do autor, Transformação de si, Ética

Resumo

À primeira vista, a afirmação de Foucault de que a escrita é responsável por matar o autor soaria como contraditória ante a multiplicação de gestos de autoria que ele próprio praticara ao longo de sua trajetória. O objetivo deste ensaio é desarmar esse suposto paradoxo. Para tanto, argumenta-se que a morte do autor pode ser pensada nos termos de uma prática de escrita voltada à transformação de si. Nesse sentido, ao abordar as considerações desenvolvidas na conferência O que é um autor?, de 1969, como uma charneira que articula dois diferentes momentos do pensamento de Foucault, busca-se salientar, primeiramente, a noção de morte a partir da relação entre limite e transgressão, tal como desenvolvida nas reflexões da década de 1960. Mais do que um fim absoluto e definitivo, a morte poderá ser entendida, em seguida, como uma pluralidade de cortes – ou descontinuidades – que acompanham a vida pari passu. Com isso, indicam-se formas de ultrapassar os limites de determinados campos discursivos, bem como as múltiplas funções de autor e de sujeito que lhes são correspondentes. Por fim, atentando-se para as reflexões desenvolvidas por Foucault nas décadas de 1970 e 1980, a relação entre escrita e morte é reiterada enquanto uma prática que conduz a relação com os limites e as descontinuidades para o centro da relação do sujeito consigo mesmo. Desarmando o paradoxo supracitado, espera-se estabelecer uma posição crítica em relação à ideia de que, no pensamento de Foucault, a descontinuidade seria equivalente às periodizações adotadas em seus principais trabalhos, assim como demonstrar a possibilidade de pensar que a escrita, enquanto prática de descontinuidade, é um princípio ético que perpassa seus escritos de ponta a ponta.

Biografia do Autor

Tiago Viotto da Silva, Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Departamento de História. Bolsista FAPESP: Processo nº 2017/15656-0

Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Departamento de História.  Pós-doutorando bolsista CNPq: Processo nº 156030/2025-0  

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Publicado

2026-10-06

Edição

Seção

Dossiê | 100 Foucault 2: o filósofo, seu pensamento e o discurso