A ordem pronominal em português brasileiro: da ênclise à próclise, do clítico ao tônico (or There and Back Again, a Word Order’s Holiday)

Gabriel de Ávila Othero, Rubia Wildner Cardozo

Resumo


Investigamos as motivações gramaticais (i) para a mudança de ênclise para próclise, ocorrida em meados do século XIX, e (ii) para o uso do pronome tônico em função de objeto direto, observado atualmente em português brasileiro (PB). A hipótese central que perseguiremos aqui é que o uso do pronome tônico (e a perda do clítico) é uma tentativa de recuperar a ordem SVO, abandonada quando, em meados do século XIX, a próclise se fez categórica. Explicaremos o fenômeno na perspectiva da Teoria da Otimidade (TO), cf. Prince & Smolensky (1993), McCarthy & Prince (1993). A TO nos permitiu investigar as restrições envolvidas no fenômeno e a hierarquia dessas restrições (bem como sua mudança ao longo do tempo), algo essencial na explicação das alterações da colocação pronominal em PB. Concluímos que a implementação do pronome pleno como objeto tenha se consolidado, primeiramente, com os pronomes de terceira pessoa (e com os pronomes com características nominais, como você e a gente) e que a tendência seja que a estratégia de uso do tônico em função de objeto se generalize por todo o sistema pronominal.


Palavras-chave


Português brasileiro; Colocação pronominal; Pronomes; Objeto direto

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2017v14n1p1717

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