Advérbios e o movimento do verbo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2019v16n1p3563

Palavras-chave:

Sintaxe Gerativa, Cartografia, Movimento do verbo, Advérbio, Diagnóstico

Resumo

Os advérbios têm sido utilizados em larga escala, em Gramática Gerativa, como diagnósticos para o movimento do verbo e de outros constituintes da oração, uma vez que ocupam posições rígidas e fixas na estrutura oracional. Com o avanço das pesquisas do Programa Cartográfico e consequente assunção de uma estrutura oracional enriquecida, é pertinente perguntar quais advérbios seriam de fato diagnósticos fidedignos para o movimento do verbo. O trabalho tem, então, por objetivo principal, valendo-se especialmente de dados do português brasileiro, mostrar a pertinência da utilização de advérbios baixos como testes para o movimento do verbo à flexão nessa língua. Será revisitada a literatura pertinente no intuito de mostrar por que advérbios baixos são bons diagnósticos à subida do verbo temático (tanto em sua forma finita, como no infinitivo, gerúndio e particípio). Num segundo momento, o trabalho apresentará argumentos contra a assunção de advérbios altos ou sentenciais como diagnósticos à subida do verbo em português do Brasil. Nessa língua, portanto, somente advérbios baixos podem ser tomados como diagnósticos, dado que os altos (ou sentenciais) não podem aparecer em posição sentencial final, independentemente da forma do verbo temático considerada.

Biografia do Autor

Aquiles Tescari Neto, Universidade Estadual de Campinas

Professor do Departamento de Linguística da UNICAMP

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Publicado

2019-04-22