Aspectos da dimensão discursiva da memória nostálgica: uma análise de editoriais da revista Ferrovia

Autores

  • Alana Destri Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.
  • Anselmo Lima Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2020v17n1p4376

Palavras-chave:

Memória nostálgica, Signo ideológico, Sociedade

Resumo

O presente artigo focou-se no estudo da manifestação da nostalgia no discurso e na delimitação de aspectos subjetivos desta enquanto fenômeno sígnico e ideológico. O estudo discursivo desse fenômeno, pelo viés teórico do Círculo de Bakhtin, firma-se no fato de que a nostalgia, universal e contundente, não pode ser compartilhada e tampouco vivida se não através de signos e, consequentemente, de enunciados. Para tanto, fez-se uso de um corpus de pesquisa notoriamente nostálgico que conta com 106 editoriais da Revista Ferrovia publicados entre 1935 e 2017. Dentre todos, três tiveram sua análise em detalhe a fim de ressaltar o vínculo do enunciado nostálgico com o tempo histórico em que se vive. A síntese disto gera um poderoso efeito catártico que se perpetua nas esferas da atividade humana como instrumento para suportar um presente de agruras.  

Biografia do Autor

Alana Destri, Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.

Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.

Anselmo Lima, Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.

Doutor e Mestre em Linguística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Docente do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Pato Branco.

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Publicado

2020-04-29

Edição

Seção

Artigo