Do que se diz ao que se faz: análise da constituição de um LD de Italiano para Estrangeiros

Autores

  • Jefferson Evaristo do Nascimento Silva-Alves UFRJ/CNPq; UERJ; CEDERJ

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2020.e63094

Palavras-chave:

Material Didático, Língua Estrangeira, Italiano

Resumo

Desde o surgimento da Abordagem Comunicativa (RICHARDS; RODGERS, 2003), a preocupação com o contexto de fala e de uso da língua passou a fazer parte da prática dos professores de Língua Estrangeira e, em certa medida, da sua formação. Mesmo com a perspectiva do ensino sendo orientada pela chamada teoria do “pós-método”, contexto e uso situado da língua permanecem como fatores de atenção no ensino de LE (KUMARAVADIVELU, 2006). Apesar das diferentes formas de se conceber o ensino, o LD continua a ser prioritariamente o principal recurso pedagógico para o ensino-aprendizagem de línguas (VILAÇA, 2012; PAIVA, 2009), sendo frequentemente a única ferramenta disponível. Mas, não obstante a mudança de perspectivas, a existência de incoerências teórico-metodológicas se mantém, o que modifica/compromete o processo de aprendizado e significação dos alunos no idioma aprendido. Nesse contexto, nos propomos a analisar um livro didático de Italiano para estrangeiros – Chiaro!! A1 (Editora ALMA, 2010) – e observar/problematizar sua constituição, a partir da Linguística Aplicada (VILLAÇA, 2012; PAIVA, 2009; RICHARDS, 2006; TILIO, 2006; RICHARDS; RODGERS, 2003), investigando nas atividades de uma Unidade Didática (UD) em específico como se efetivam as indicações feitas pelo livro na sua autoapresentação e no índice da UD. Pretendemos com esta análise motivar uma maior discussão acerca da análise e crítica destes materiais, ampliando um debate necessário.

Biografia do Autor

Jefferson Evaristo do Nascimento Silva-Alves, UFRJ/CNPq; UERJ; CEDERJ

Professor de Língua Portuguesa no IFF. Doutorando em Língua Portuguesa na UERj e em Letras Neolatinas na UFRJ.

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Publicado

2020-12-30