Gramática de Construções e Relativismo Linguístico: o caso do gênero gramatical em português

Autores

  • Carlos Alexandre Gonçalves Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Wallace Bezerra de Carvalho Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Diogo Pinheiro Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2023.e79494

Palavras-chave:

Gênero, Vogal temática, Construções, Relativismo

Resumo

Este trabalho tem como objetivo discutir a natureza das desinências de gênero no português, sua relação com vogais temáticas e suas funções. Acreditamos que a divisão entre os conceitos de desinências de gênero e vogal temática é psicologicamente irreal. Além disso, hipotetizamos que a função das construções desinenciais de gênero (como aqui são chamadas) está intimamente relacionado às categorias de gênero social. Sendo assim, mesmo quando combinadas com substantivos de referente inanimado, veiculam tal significado, o que força aos falantes a atribuição de características comumente relacionadas aos gêneros sociais, e, portanto, a humanos, a referentes inanimados. Nesse sentido, defendemos, neste trabalho, que a língua afeta a maneira como pensamos de alguma maneira, nos aproximando do Relativismo Linguístico. Tais afirmações foram corroboradas por resultados obtidos via experimento linguístico aqui relatado.

Biografia do Autor

Carlos Alexandre Gonçalves, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor Associado III da Faculdade de Letras da UFRJ, com pós-doutoramento, subvencionado pelo CNPq, em interface morfologia-fonologia (UNICAMP). Autor dos livros "Iniciação aos estudos morfológicos: flexão e Derivação em português" (Ed. Contexto, 2011), "Introdução à Morfologia Não-linear" (Ed. Publit, 2009) e "Otimalidade em foco: morfologia e fonologia do português" (Ed. Publit, 2009). Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq desde 2000. Coordenador do NEMP (Núcleo de Estudos Morfossemânticos do Português).

Referências

BOOIJ, G. Construction Morphology. Oxford: Oxford University Press. 2010.

BOOIJ, G. Inheritance and Construction Morphology. In: GISBORNE, N.; HIPPISLEY, A. (ed.) Defaults in Morphological Theory. Oxford: Oxford University Press, 2017. p. 18-39.

BORODITSKY, L.; SCHMIDT, L. A. Sex, Syntax, and Semantics. Proceedings of the Annual Meeting of the Cognitive Science Society, v. 22, n. 22, p. 1-6, 2000. Disponível em: https://escholarship.org/uc/item/0jt9w8zf. Acesso em: 13/07/2019.

BORODITSKY, L.; SCHMIDT, L. A.; PHILLIPS, W. Sex, syntax, and semantics. In: GENTNER, D., GOLDIN-MEADOW, S. (ed.) Language in mind: Advances in the study of language and thought. Cambridge: MIT Press, 2003. p. 61-79 Disponível em: https://doi.org/10.7551/mitpress/4117.003.0010. Acesso em: 13/07/2019.

BOTELHO PEREIRA, M. Â. Gênero e número em português. Rio de Janeiro: UFRJ, 1987.

BYBEE, J. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

CAMARA JR., J. M. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1970.

CASASANTO, D. Who's afraid of the big bad Whorf? Crosslinguistic differences in temporal language and thought. Language learning, v. 58, p. 63-79, 2008. Disponível em: https://escholarship.org/uc/item/0jt9w8zf. Acesso em: 13/07/2019.

CROFT, W.; CRUSE, D. A. Cognitive linguistics. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

CROFT, W. Radical construction grammar: Syntactic theory in typological perspective. Oxford: Oxford University Press, 2001.

CUBELLI, R. et al. The effect of grammatical gender on object categorization. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, v. 37, n. 2, p. 449-460, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1037/a0021965. Acesso em: 13/07/2019.

DIESSEL, H. Usage-based construction grammar. In: Dabrowska, E.; Divjak, D. (ed.). Handbook of cognitive linguistics. Berlin, München, Boston: De Gruyter Mouton, 2015. p. 296-322. Disponível em: https://doi.org/10.1515/9783110292022-015. Acesso em: 13/07/2019.

EVERETT, C. Linguistic relativity: Evidence across languages and cognitive domains. Berlin: De Gruyter, 2013.

GEERAERTS, D.; CUYCKENS, H. (ed.). The Oxford handbook of cognitive linguistics. Oxford: Oxford University Press, 2007.

GOLDBERG, A. Constructions: A construction grammar approach to argument structure. Chicago: University of Chicago Press, 1995.

GOLDBERG, A. Constructions at work: The nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press on Demand, 2006.

GOLDBERG, A. E. Constructionist approaches. In: HOFFMANN, T.; TROUSDALE, G. (ed.). The Oxford handbook of construction grammar. Oxford: Oxford University Press, 2013. p. 15-31.

GONÇALVES, C. A. Iniciação aos estudos morfológicos: flexão e derivação em português. São Paulo: Contexto, 2011.

GONÇALVES, C. A. Morfologia construcional: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2016.

HOFFMANN, T.; TROUSDALE, G. (ed.). The Oxford handbook of construction grammar. Oxford: Oxford University Press, 2013.

KEHDI, V. Morfemas do português. São Paulo: Ática, 2001.

LAKOFF, G. Women, fire, and dangerous things: What categories reveal about the mind. Chicago: University of Chicago Press, 1987.

LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago Press, 1980.

LEE, P. The Whorf theory complex: A critical reconstruction. Amsterdam: John Benjamins Publishing, 1996.

NASCIMENTO, M. J. R. Repensando as vogais temáticas nominais a partir da gramática das construções. 171f. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

PHILLIPS, W.; BORODITSKY, L. Can quirks of grammar affect the way you think? Grammatical gender and object concepts. Proceedings of the Annual Meeting of the Cognitive Science Society, v. 25. p. 928-933, 2003. Disponível em: https://escholarship.org/uc/item/31t455gf#mai. Acesso em: 13/07/2019.

PINHEIRO, D. R.; ALONSO, K. S. 30 anos (ou mais) de Gramática de Construções: primeiros apontamentos para uma história do movimento. Linguística, v. 14, n. 1, p. 6-29, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.31513/linguistica.2018.v14n1a18644. Acesso em: 13/07/2019.

PINHEIRO, D. Sintaxe Construcionista. In: OTHERO, G. A.; KENEDY, E. (org.). Sintaxe, sintaxes: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2015. p. 163-184

PINHEIRO, D. Um modelo gramatical para a linguística funcional-cognitiva: da Gramática de Construções para a Gramática de Construções Baseada no Uso. In: ALVARO, P.; FERRARI, L. Linguística Cognitiva: linguagem, pensamento e cultura. Campos: Brasil Multicultural, 2016. p. 20-41.

RAMOS, S.; ROBERSON, D. What constrains grammatical gender effects on semantic judgements? Evidence from Portuguese. Journal of Cognitive Psychology, v. 23, n. 1, p. 102-111, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1080/20445911.2011.466795. Acesso em: 13/07/2019.

ROCHA LIMA, C. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2014.

ROCHA, L. C. Estruturas morfológicas do português. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.

SEGEL, E.; BORODITSKY, L. Grammar in art. Frontiers in psychology, v. 1, p. 3, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpsyg.2010.00244. Acesso em: 13/07/2019.

SEMENUKS, A. et al. Effects of Grammatical Gender on Object Description. In GUNZELMANN, G., HOWES, A., TENBRINK, T., DAVELAAR, E. (eds.). Proceedings of the 39th Annual Meeting of the Cognitive Science Society. Texas: Cognitive Science Society. 2017. p. 1060–1065. Disponível em: https://www.proceedings.com/35829.html. Acesso em: 13/07/2019.

SENKEVICS, A. S.; POLIDORO, J. Z. Corpo, gênero e ciência: na interface entre biologia e sociedade. Revista da Biologia, v. 9, n. 1, p. 16-21, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.7594/revbio.09.01.04. Acesso em: 13/07/2019.

TAVARES DA SILVA; J. C. Abordagem construcional nos estudos da morfologia do português: o modelo booijiano em terras brasílicas. Macabéa, v. 8, n. 2, p. 109-135, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.47295/mren.v8i2.1953. Acesso em: 13/07/2019.

TOMASELLO, M. Constructing a language. Harvard: Harvard University Press, 2009.

TRAUGOTT, E. C.; TROUSDALE, G. Constructionalization and constructional changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.

VANDEWYNCKEL, L. The weak whorfian hypothesis with regard to gender categorisation. Gante: Universiteit Gent, 2008.

VILLALVA, A. Estrutura morfológica básica. In: MATEUS, M. H. et al. Gramática da Língua Portuguesa, v. 5. Lisboa: Editorial Caminho, 2003. p. 917-938.

VIP, A.; LIBI, F. Aurélia, a dicionária da língua afiada. São Paulo: Editora da Bispa, 2006.

WHORF, B. L. Language, thought, and reality: selected writings of Benjamin Lee Whorf. Cambridge: MIT Press, 1956.

WOLFF, P.; HOLMES, K. J. Linguistic relativity. Wiley Interdisciplinary Reviews: Cognitive Science, v. 2, n. 3, p. 253-265, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1002/wcs.104. Acesso em: 13/07/2019.

ZANOTTO, N. Estrutura mórfica da língua portuguesa. Porto Alegre: Educs, 1986.

Downloads

Publicado

2024-03-06

Edição

Seção

Artigo