Chamada | Signos, traços, indícios: a contribuição de Carlo Ginzburg para os estudos das ciências humanas

2026-07-28

Signos, traços, indícios:  a contribuição de Carlo Ginzburg para os estudos das ciências humanas

 

Organização:

Fabiana Giovani (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC- Brasil)

Luciano Ponzio (University of Salento – Lecce - Italy)

 

A pesquisa sobre a linguagem representa um campo de particular interesse para as Ciências Humanas. Nesse domínio, é central o papel do ser humano, uma vez que o estudo da linguagem implica o reconhecimento do sujeito expressivo e falante que a produz e a utiliza. Nessa perspectiva, o sujeito da pesquisa é inesgotável em seus significados e em suas possibilidades interpretativas.

Quando se realiza uma pesquisa nas ciências humanas que envolve a linguagem, o pesquisador se depara com o paradigma indiciário (de origem muito antiga: caça, adivinhação, medicina empírica), que remete a uma forma de conhecimento inferencial baseada em indícios, sem coincidir necessariamente com a exatidão ou com uma verdade definitiva, mas sim com modalidades conjeturais de interpretação. Embora as ciências tendam a buscar aquilo que permanece estável ao longo das mudanças, elas lidam com sujeitos que participam ativamente do processo de conhecimento, o que impede que esse saber seja reduzido às categorias próprias dos objetos materiais.

“Poderíamos comparar os fios que compõem esta pesquisa” – escreve Carlo Ginzburg em Mitos, emblemas, sinais – “aos fios de um tapete […]; vemos como eles se compõem numa trama densa e homogênea […]. O tapete é o paradigma que temos chamado, conforme os contextos, venatório, divinatório, indiciário ou semiótico”. Nessa perspectiva, o paradigma indiciário remete a um modelo epistemológico comum a práticas e disciplinas diversas, unidas pelo uso de métodos inferenciais e pelo empréstimo de instrumentos conceituais. Entre os séculos XVIII e XIX, com o surgimento das ciências humanas, tal constelação de saberes se transforma profundamente, consolidando progressivamente a adoção do paradigma indiciário.

Nesse contexto, o paradigma indiciário assume crescente relevância nos estudos da linguagem. Elaborado por Carlo Ginzburg, ele é hoje utilizado não apenas por historiadores, mas também por filósofos, antropólogos, semiólogos, linguistas e estudiosos da educação. Configura-se como um paradigma fecundo para a análise da ação humana por meio de rastros, indícios e formas de inferência não dedutiva.

 

Por meio de uma chamada aberta serão selecionados 12 artigos (6 em língua portuguesa e 6 em uma língua adicional – inglês, italiano, francês ou espanhol) que abordem um dos seguintes eixos temáticos. 

Áreas temáticas para a submissão

- Âmbito da linguagem (língua e literatura)

- Âmbito da semiótica histórica

- Âmbito da educação

- Âmbito das artes

- Âmbito da história

 

Prazo de submissão: 1 dez. 2026 a 2 mar. 2027

Previsão de publicação: dez. 2027