Letramentos, ideologías lingüísticas e (in)seguridad sociolingüística en tiempos digitales: un análisis autoetnográfico de una familia capixaba

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e108687

Palabras clave:

Prácticas y eventos de letramento, (In)seguridad sociolinguística, Contexto digital , Análisis autoetnográfica , Microcultura familiar

Resumen

Este estudio investiga la presencia y la configuración del grafocentrismo en una microcultura familiar del litoral sur del Espírito Santo, compuesta por diferentes generaciones. Basado en los Nuevos Estudios del Letramento y en enfoques de la Sociolingüística y de las Creencias y Actitudes, se busca describir cómo se constituye el capital simbólico asociado al uso del lenguaje en el cotidiano de los sujetos, considerando sus creencias lingüísticas y los efectos de esas en la inserción (o no) en eventos de letramento mediados por tecnologías digitales. La investigación tiene orientación cualitativa, de carácter autoetnográfico, utilizando memorias y observaciones de la autora junto a familiares (abuela, padres, suegros y esposo) como fuente de datos. Este recorte de investigación busca contestar a las siguientes cuestiones: ¿Cómo se configura esa microcultura familiar – más grafocéntrica o menos grafocéntrica? ¿Qué eventos de letramento - asociados a prácticas orales, escritas y tecnológicas - se muestran más recurrentes en esa microcultura? ¿Cómo la configuración lingüística de esa familia evidencia creencias/percepciones e (in)seguridad sociolingüística? Los resultados muestran que la microcultura investigada presenta una configuración híbrida de letramentos, en que el grafocentrismo tradicional convive con prácticas orales y digitales. Se observa fuerte valorización de las formas padronizadas y escolarizadas de expresión, asociadas al prestigio social, al lado de una valoración afectiva de variedades lingüísticas “más simples”, asociadas a pertencimiento y confort. Esa tensión evidencia las ideologías lingüísticas que regulan prestígio y estigma, afectando la (in)seguridad sociolingüística de los sujetos y revelando como estructuras simbólicas impactan la confianza lingüística y la participación en diferentes eventos de letramento.

Biografía del autor/a

Rafaela da Silva Areias, Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

É graduada em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (2025/01). 

Marcela Langa Lacerda, Universidade Federal do Espírito Santo

Professora do Departamento de Línguas e Letras (DLL) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutora em Linguística (área de concentração: Teoria e Análise Linguística) (2017), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pesquisadora colaboradora nos seguintes Grupos de Pesquisa da UFFS: (i) Estudos Sociolinguísticos, (ii) Estudos Gramaticais e Lexicais, (iii) Interdisciplinar em Políticas e Práticas de Educação (IPRAE). Desenvolve pesquisas a partir de interfaces entre os campos variacionista, funcionalista e dialógico, com ênfase nos seguintes temas: variação e gramaticalização; estilo linguístico; relação entre gêneros do discurso, formas e funções; expressão do futuro do presente; linguagem e identidade; usos sociais da língua em contexto acadêmico.

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Publicado

2026-03-05

Número

Sección

Artículo