A racionalidade neoliberal e o sujeito empreendedor de si nas redes sociais: problematizando o fenômeno dos coachs mirins
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e112381Parole chiave:
Discurso, Neoliberalismo, Infância, Empreendendorismo, PerformatividadeAbstract
O artigo analisa a construção de discursos de crianças e adolescentes que atuam como coachs mirins, de modo a criar e difundir conteúdos tidos como inspiradores nas mídias sociais digitais. Na perspectiva de Foucault, evidencia-se a condução de formas de ser e de se relacionar consigo mesmo que se conectam com a racionalidade neoliberal, pois esta prima pela autogestão, proatividade e livre iniciativa. Sob a ótica arqueogenealógica, o estudo analisa enunciados extraídos de vídeos publicados em redes sociais digitais e uma matéria jornalística publicada no portal Uol. A partir da análise empreendida, pode-se enfatizar que os coachs mirins ancoram-se em uma pedagogia da performance, a partir da qual a infância e a juventude transitam de um período de experimentação para um espaço de aprimoramento contínuo. Dessa forma, crianças e adolescentes começam a internalizar a conduta do indivíduo-empresa que é competitivo, produtivo e que assume a responsabilidade de seu próprio sucesso. Tais discursos buscam transformar os indivíduos, por meio do estabelecimento de um regime de governo que funciona por meio de afetos, desejos e motivações, direcionando, assim, condutas aliadas aos valores neoliberais, de modo a disseminar a ideia de que cada sujeito deve, desde a mais tenra idade, ser o empreendedor de si mesmo.
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