Vozes da diferença: tempo e transformação entre educadores populares em Pernambuco

Autores

  • Catarina Morawska Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2017v19n2p213

Resumo

Neste artigo aproximam-se narrativas de educadores populares em Recife e Olinda, atuantes em organizações não governamentais nas décadas de 1990 e 2000, dos conceitos de “tempo de emaranhamento” de Achille Mbembe e “inscrições intersticiais da diferença cultural” de Homi Bhabha. Argumenta-se que os educadores eram incitados a falar de si a partir das noções de raça, gênero, sexualidade e cultura, criando espaços de enunciação em que se intercruzavam experiências passadas, presentes e futuras: tornava-se assim mulher, negro, homossexual, artista, educador. Além de fazer ver um argumento particular sobre tempo e transformação entre educadores, o encontro do material de campo e da teoria pós-colonial também agencia uma série de bifurcações analíticas e, assim, elicia outro argumento, dessa vez sobre tempo e transformação nos textos antropológicos. Como com qualquer narrativa, a dos antropólogos não ocorre sem efeitos. Explora-se o tempo emergente nas histórias de vida contadas pelos educadores e nas trajetórias de vida analisadas por antropólogos.

Biografia do Autor

Catarina Morawska, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

É professora adjunta do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos (PPGAS/UFSCar) e coordenadora do Laboratório de Experimentações Etnográficas (LE-E) desde 2013. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a formação do mercado de futuros no Brasil como Visiting Researcher do Institute for Public Knowledge, New York University, com auxílio Fapesp de pesquisa no exterior. É bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2004) e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2010) com trabalho sobre a relação entre agências internacionais de financiamento e organizações populares em Recife e Olinda envolvidas desde a década de 1980 com o movimento nacional dos meninos e meninas de rua. Sua tese obteve menção honrosa no Concurso Capes de Teses Edição 2011. Foi bolsista Fapesp de pós-doutorado em pesquisa sobre a relação de cooperação internacional entre organizações indígenas em Roraima e ONGs internacionais. Atuou como pesquisadora visitante na School of Oriental and African Studies (SOAS/University of London) junto ao Prof. David Mosse, especialista em antropologia do desenvolvimento. Trabalha principalmente em torno dos seguintes temas: cooperação internacional, antropologia política, antropologia da globalização, antropologia do desenvolvimento, antropologia da economia, teorias antropológicas e método em antropologia.

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Publicado

2018-03-05

Edição

Seção

Dossiê Antropologia e Crítica Pós-colonial