Vozes da diferença: tempo e transformação entre educadores populares em Pernambuco

Catarina Morawska

Resumo


Neste artigo aproximam-se narrativas de educadores populares em Recife e Olinda, atuantes em organizações não governamentais nas décadas de 1990 e 2000, dos conceitos de “tempo de emaranhamento” de Achille Mbembe e “inscrições intersticiais da diferença cultural” de Homi Bhabha. Argumenta-se que os educadores eram incitados a falar de si a partir das noções de raça, gênero, sexualidade e cultura, criando espaços de enunciação em que se intercruzavam experiências passadas, presentes e futuras: tornava-se assim mulher, negro, homossexual, artista, educador. Além de fazer ver um argumento particular sobre tempo e transformação entre educadores, o encontro do material de campo e da teoria pós-colonial também agencia uma série de bifurcações analíticas e, assim, elicia outro argumento, dessa vez sobre tempo e transformação nos textos antropológicos. Como com qualquer narrativa, a dos antropólogos não ocorre sem efeitos. Explora-se o tempo emergente nas histórias de vida contadas pelos educadores e nas trajetórias de vida analisadas por antropólogos.


Palavras-chave


Teoria pós-colonial; Raça; Gênero; Sexualidade; Trajetória de vida; Escrita antropológica

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-8034.2017v19n2p213

Ilha R. Antr., Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC,  Florianópolis, SC, Brasil, ISSNe 2175-8034