A revista Realidade nos anos da mobilização democrática: reportagem e Estado autoritário

J. S. Faro

Resumo


 

O artigo pretende analisar o papel que a revista Realidade desempenhou no processo de resistência democrática nos anos 60. Criada em 1966, a publicação da Editora Abril, reuniu em sua primeira fase, pelo menos até a edição do AI-5, em 1968, uma equipe de profissionais que enfrentou a progressiva construção e hipertrofia do Estado Autoritário iniciada com o golpe de 1964. Apesar disso, pela prática da grande reportagem e pelo sentido inusitado e contemporâneo das pautas com as quais trabalhou, a revista acabou se tornando um veículo transgressor do conservadorismo com o qual a aliança civil-militar que derrubou João Goulart pretendia dar significado à nova ordem que se instalou no país. Menos por seu feitio explicitamente político e mais pelos desdobramentos dos novos padrões de cultura que a publicação ajudou a disseminar, grande parte das matérias que foram veiculadas entre 1966 e 1968 testemunham um dos paradoxos do país em processo de modernização prussiana: a dinâmica cultural que resistia ao fechamento institucional. Realidade foi expressão desse conflito e, certamente também por isso, tornou-se instrumento de resistência democrática.

 

Palavras-chave


Jornalismo; Grande Reportagem; Modernidade; Cultura; Ditadura

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artigo


DOI: https://doi.org/10.5007/1984-6924.2014v11n1p168

(Est-s Jorn. Mid.), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSNe 1984-6924.

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