A ética jornalística de Mario Magalhães na produção da biografia de Marighella

Sérgio Luiz Gadini, Felipe Adam

Resumo


As publicações editoriais biográficas assinadas por jornalistas se tornaram mais um meio de trabalho para jornalistas escritores. Dados da Câmara Brasileira do Livro, Sindicato Nacional dos Editores de Livros e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, indicam que as biografias apresentaram um crescimento de 11,14% na produção de livros em 2017, em relação a 2016. O presente trabalho discute a questão ética na escrita biográfica do jornalista Mário Magalhães em Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo (2012). A partir da leitura de Cornu (1994), Guerra (2008), Gauthier (2015), Miguel e Biroli (2010) e Vieira (2015), o estudo aponta que o gênero biográfico é uma grande reportagem e, por isso, são observados elementos éticos inerentes ao texto jornalístico como a verdade, transparência, liberdade. Além disso, a obra analisada propõe uma ressignificação diante do biografado: de um personagem esquecido a um protagonista da resistência no período da ditadura militar brasileira.

Palavras-chave


Ética profissional; Biografia jornalística; Ética em jornalismo

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-6924.2020v17n1p109

(Est-s Jorn. Mid.), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSNe 1984-6924.

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