Criação musical na Era do Rádio:

maestros e arranjadores, entre a tradição e a modernidade

Autores

  • Raphael Fernandes Lopes Farias Universidade Paulista (UNIP)
  • Heloísa de Araújo Duarte Valente Universidade Paulista - UNIP

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2020v17n2p102

Palavras-chave:

Arranjadores, Maestros, Era do Rádio

Resumo

Este artigo é fruto da pesquisa de mestrado de um dos autores e visa apontar os maestros arranjadores das rádios e gravadoras como peças-chave na produção fonográfica entre as décadas de 1940 e 1950, no Brasil. Verifica-se o protagonismo de Radamés Gnattali no cenário da época, seguido de outros nomes como Guerra-Peixe, Lyrio Panicalli, Leo Peracchi, Nicolino Coppia, Osvaldo Borba, Guaraná e Enrico Simonetti. Estes maestros estão relacionados à criação de um gosto estético no processo de composição dos arranjos e orquestrações das canções, o que terá implicações nas performances artísticas. Este texto aponta dados sobre a produtividade destes profissionais da música e sua relação estreita com o trabalho de alguns intérpretes. Para se chegar a estes resultados foram consultadas pesquisas feitas nos acervos da Rádio Nacional e Rádio Record, listas de canções de sucesso – hit parades, capas de disco e notas de imprensa. Conclui-se que o trabalho destes músicos acabou por formular um panorama estético-midiático na paisagem sonora do período.

Biografia do Autor

Raphael Fernandes Lopes Farias, Universidade Paulista (UNIP)

Doutorando e Mestre em Comunicação e Cultura Midiática. Bacharel em Comunicação Social hab Jornalismo e Licenciado em Música. Pesquisador do Centro de Estudos em Música e Mídia - MusiMid.

Heloísa de Araújo Duarte Valente, Universidade Paulista - UNIP

Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Coordenadora do Centro de Estudos em Música e Mídia (MusiMid). Docente titular junto ao Programa Pós-Graduação e Cultura Midiática da Universidade Paulista (UNIP).

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Publicado

2020-12-18