Posições concedidas e interditadas para as vozes de classes populares no discurso jornalístico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2020v17n2p149

Palavras-chave:

Jornalismo, Vozes, Classes populares

Resumo

O artigo discute como o discurso jornalístico valora as vozes das fontes de classes populares, concedendo e interditando determinadas posições para esses sujeitos. Parte-se do entendimento de que ao visibilizar temas, acontecimentos e problemáticas, o jornalismo estabelece previamente papéis e lugares para sujeitos e grupos sociais. A análise de uma reportagem televisiva do programa Caminhos da Reportagem (TV Brasil) mostra que o discurso jornalístico situa as vozes das fontes de classes populares em posições de descrição, lamentação e ilustração em detrimento de posições de opinião, saber e proposição. Os resultados sinalizam a necessidade de um jornalismo que se propõe público, independente e democrático, repensar os modos de valoração das vozes de suas fontes, desnaturalizando lugares cristalizados nos imaginários jornalístico e social que apenas reiteram o status quo

Biografia do Autor

Rafael Rangel Winch, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutorando em Jornalismo pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista FAPESC/CAPES. 

Daiane Bertasso, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Professora no Departamento de Jornalismo da UFSC e no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC. Pesquisadora nos Grupos de Pesquisa do CNPq Jornalismo, Cultura e Sociedade (UFSC) e TRANSVERSO: estudos em jornalismo, interesse público e crítica (UFSC).

Referências

AMARAL, Marcia F. Fontes testemunhais, autorizadas e experts na construção jornalística das catástrofes. Revista Líbero, v. 18, n. 36, p. 43-54, 2015.

AMARAL, Marcia F. Os testemunhos de catástrofes nas revistas brasileiras: do medo individual à paternização midiática. Contracampo, v. 26, p. 71-86, 2013.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

BENETTI, Marcia. Jornalismo e perspectivas de enunciação: uma abordagem metodológica. Intexto, v. 1, n. 14, p. 1-11 janeiro/julho, 2006.

BIROLI, Flávia; MIGUEL, Luis Felipe. Gênero, raça, classe: opressões cruzadas e convergências na reprodução das desigualdades. Mediações, v. 20, n. 2, 2015.

BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre: Zouk, 2007.

CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.

CHARAUDEAU, Patrick. Pathos. In: CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. (Orgs.) Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2004, p. 371- 372.

COUTINHO, Iluska. Lógicas de produção do real no telejornal: a incorporação do público como legitimador do conhecimento oferecido nos telenoticiários. In: GOMES, I. M. M. (org.). Televisão e Realidade. Salvador: EDUFBA, 2009.

FERREIRA, Maria Cristina L. (Org.). Glossário de Termos do discurso. Porto Alegre: UFRGS, 2001. Disponível em http://www.discurso.ufrgs.br/glossario.html. Acesso em 20 dez. de 2007.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola. 1971.

GADRET, Débora L. A emoção na reportagem de televisão: as qualidades estéticas e a organização do enquadramento. Tese (Doutorado em Comunicação e Informação). Porto Alegre: UFRGS, 2016.

GRIGOLETTO, Evandra. O discurso de divulgação científica: um espaço intervalar. Dissertação (Mestrado em Letras). Porto Alegre: UFRGS, 2005.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Ed., 1997.

LAGE, Leandro R. Testemunhos do sofrimento nas narrativas telejornalísticas: corpos abjetos, falas inaudíveis e as (in)justas medidas do comum. 2016. Tese (Doutorado em Comunicação). Belo Horizonte: UFMG, 2016.

LIPPMANN, Walter. Opinião pública. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. São Paulo, Cortez, 2001.

MARIANI, Bethania. O PCB e a imprensa: os comunistas no imaginário dos jornais (1922- 1989). Rio de Janeiro: Revan; Campinas: Ed. Unicamp, 1998.

MEDINA, Cremilda. Povo & personagem. Canoas: Ulbra, 1996.

MOTTA, Luiz Gonzaga. Análise crítica da narrativa. Brasília: Ed. UnB, 2013.

ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 6. ed. Campinas: Pontes, 2005.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso. Campinas: Pontes, 1995.

REGINATO, Gisele. D. As finalidades do jornalismo. Florianópolis: Insular, 2019.

ROSE, Diana. Análise de imagens em movimento. In: BAUER, M. W.; GASKELL, G. (Orgs.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2011.

SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: UFMG, 2009.

TV BRASIL, site. Sobre a TV. Disponível em https://tvbrasil.ebc.com.br/sobreatv. Acesso em 20 jul. 2020.

WINCH, Rafael Rangel. A diversidade de vozes no telejornalismo: um olhar para as conformações econômicas e políticas da televisão. In: 16º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Anais. São Paulo, 2018.

Downloads

Publicado

2020-12-18