Crítica à alegoria tecnofeudal: plataformas digitais, valor e fetichismo no capitalismo contemporâneo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e107246

Palavras-chave:

tecnofeudalismo, plataformas digitais, teoria do valor, fetichismo, mais-valor

Resumo

O artigo analisa criticamente a tese do tecnofeudalismo, que propõe a emergência de um novo modo de produção centrado na dominação algorítmica das plataformas digitais. Adota-se como método a análise imanente das obras de autores como Varoufakis, Durand e Dean, confrontadas com a crítica da economia política marxiana. O estudo investiga se essas formulações não incorrem em fetichismo teórico ao tomarem formas aparentes de dominação como rupturas com os fundamentos do capitalismo. Os resultados apontam que, longe de substituírem a exploração do trabalho e a produção de mais-valor, as plataformas digitais intensificam formas historicamente desenvolvidas do capital comercial, portador de juros e fictício. Conclui-se que as categorias marxistas permanecem fundamentais para compreender a lógica da valorização do valor no capitalismo contemporâneo e que a alegoria tecnofeudal obscurece, em vez de esclarecer, os mecanismos atuais de espoliação do trabalho.

Biografia do Autor

Thiago Dutra Hollanda de Rezende, Universidade do Distrito Federal (UnDF)

Doutor em Política Social pela Universidade de Brasília (UnB) e Professor de Educação Superior da Universidade do Distrito Federal (UnDF).

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Publicado

2026-01-28

Edição

Seção

Espaço temático: Tecnologia, digitalização do Estado e políticas sociais