Capitalismo dependente e saneamento: análise da trajetória da Copasa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e107314

Palavras-chave:

saneamento, teoria marxista da dependência, copasa, financeirização

Resumo

O artigo analisa criticamente a trajetória da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) como expressão das contradições estruturais do saneamento básico no contexto do capitalismo dependente brasileiro. Com base na Teoria Marxista da Dependência e no método histórico-estrutural, a pesquisa articula teoria crítica, levantamento documental e entrevistas com gestores da Copasa para compreender a forma institucional do saneamento como parte das condições gerais de reprodução do capital nas formações periféricas. Os resultados revelam que a financeirização da Copasa — gestada no Planasa, nos anos 1970, e aprofundada com a abertura de seu capital acionário — subordina a universalização do saneamento às exigências de valorização financeira, convertendo direitos sociais em ativos rentáveis. Conclui-se que a efetivação dos direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário é condicionada por mediações estruturais que articulam dependência, herança autoritária e racionalidade mercantil, exigindo abordagens críticas que superem leituras técnico-normativas e enfrentem os fundamentos materiais da desigualdade no acesso ao saneamento.

 

Biografia do Autor

Marta Luiza Dias, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2003) e especialização em Gestão da Responsabilidade Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Mestre em Ensino em Saúde pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Doutoranda em Saúde Coletiva na Fiocruz MG. Tem experiência na área de Formação Docente e Educação Popular, pesquisadora em Educação de Adultos. Atualmente trabalha como Analista de Educação Corporativa na Companhia de Saneamento de Minas Gerias - Copasa MG. Tem experiência em participação e mobilização social, educação ambiental, planejamento e desenvolvimento de projetos socioambientais, planejamento e realização de atividades de formação e educação de trabalhadores. É coordenadora da Rede Nacional de Educação Popular e Saúde e coordenadora do Projeto Café com Bordado: estratégia mobilizadora de promoção da saúde em patos de Minas, MG.

Léo Heller, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (1977), mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989) e doutorado em Epidemiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995). Realizou pós-doutorado na University of Oxford, no período 2005-2006. É Doutor Honoris Causa pela University of Newcastle. Foi Professor Titular do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais, no qual atua como professor voluntário. É pesquisador do Instituto René Rachou, Fiocruz, desde 2014. Na UFMG, dentre outras funções administrativas, foi chefe de Departamento (1995), Pró-Reitor adjunto de Pós-Graduação (1995-98), Diretor da Escola de Engenharia (1998-2002) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos (2006-2008). Foi Relator Especial dos Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário, das Nações Unidas (2014-2020). É autor do livro "The Human Rights to Water and Sanitation", pela Cambridge University Press. Tem experiência na área de saneamento básico, atuando principalmente nos temas dos direitos humanos, da saúde ambiental e das políticas públicas. 

Referências

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Publicado

2026-01-06

Edição

Seção

Espaço tema livre