Grupos vivenciais e permanência com sucesso na escola: conquista de direitos

Rosângela Araújo Darwich, Maria Lúcia Dias Gaspar Garcia

Resumo


Este artigo objetiva demonstrar relações entre a formação de grupos vivenciais com características não coercitivas e o favorecimento de habilidades sociais de estudantes do ensino médio de escolas públicas. Considera-se que trocas sociais positivas estão relacionadas ao autocuidado e ao respeito mútuo, imprescindíveis para que adolescentes e jovens permaneçam na escola. O direito à educação perpassa, assim, pelo investimento em  condições motivacionais construídas no ambiente escolar. Uma pesquisa-ação interdisciplinar, de abordagem qualitativa, com utilização de método vivencial de aprendizagem, é aqui representada pela formação de quatro grupos vivenciais, com um total de 67 participantes reunidos em dez encontros. Por meio de relatos descritivos e dados observacionais, verificaram-se inter-relações entre revisão de significados pessoais e o papel atribuído à escola. Fundamenta-se a necessidade de ênfase em trocas interpessoais que permitam a conquista de direitos quanto ao investimento pessoal e social representado pela permanência com sucesso na escola.


Palavras-chave


Grupos vivenciais; Permanência na escola; Não coerção; Habilidades sociais

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DOI: https://doi.org/10.1590/1982-02592019v22n3p558

R. Katál. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil eISSN: 1982-0259  

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