Uma crítica à concepção organicista da deficiência: contribuições para uma luta anticapacitista e anticapitalista
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-0259.2025.e108683Palavras-chave:
Deficiência, concepção organicista, sociogêneseResumo
O artigo apresenta uma análise teórica e crítica da concepção organicista da deficiência, compreendida como expressão da racionalidade burguesa e da lógica produtivista do capital. Fundamentado no materialismo histórico-dialético, especialmente nas contribuições de Lev Vigotski e sua teoria da sociogênese, o estudo articula autores como Canguilhem e Durkheim para demonstrar como a pessoa com deficiência tem sido historicamente normatizada por critérios biologicistas e positivistas, situados entre o patológico e o normal. Ao resgatar os limites epistemológicos da concepção organicista, propõe-se uma concepção ampliada de deficiência, centrada na crítica ao capacitismo e ao modo de produção capitalista, reafirmando o desenvolvimento da diversidade humana como expressão das contradições sociais.
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