Argumentos céticos pela tolerância no início da Modernidade - Bayle e Locke
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7984.2025.e101297Palavras-chave:
Pierre Bayle, John Locke, Tolerância, CeticismoResumo
O objetivo deste artigo é analisar a argumentação mobilizada em dois dos textos mais influentes do pioneiro esforço pela tolerância religiosa: a “Carta sobre a Tolerância”, de John Locke, e “Argumentos Filosóficos”, de Pierre Bayle, buscando identificar padrões de argumentação comuns a ambos os textos. Tanto Bayle quanto Locke colocam lado a lado argumentos não apenas de natureza diversa, mas em tensão recíproca, como é o caso de argumentos céticos e teológicos. Contrariando a tese de que o tolerantismo do século XVII é principalmente teológico e esconde uma estratégia evangélica, o artigo defende a ideia de que o apelo a razões múltiplas expressa a intenção comum a Locke e a Bayle de falar para públicos variados, deslocando assim o problema da esfera teológica para a esfera propriamente política.
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