Tratando as nanopartículas com precaução: reconhecendo a incerteza qualitativa na avaliação científica do risco
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7984.2012v11n20p171Resumo
Invenções científicas e tecnologias, como a nanotecnologia, interagem com sistemas ecológicos e sociais complexos em vários níveis e têm o potencial de causar consequências ímpares e sem precedentes. Isso traz desafios para abordagens de avaliação de risco convencionais, as quais pressupõem que não apenas é possível prever os riscos potenciais de novas tecnologias com precisão através de métodos científicos, mas também que existe uma clara distinção entre uma avaliação de risco factual e objetiva realizada por um especialista, e uma avaliação de risco normativa / baseada em valores. Neste artigo descrevemos várias formas qualitativas de incerteza e procuramos demonstrar como valores, crenças e interesses estão, inevitavelmente, emaranhados na ciência envolvida em processos de avaliação de risco. Em seguida, apresentamos dois referenciais disponíveis para a exposição e a análise das formas qualitativas de incerteza na ciência orientada à formulação de políticas e descrevemos abordagens de precaução como uma alternativa à tomada de decisões baseada em riscos. Utilizamos as nanopartículas como um estudo de caso ilustrativo e argumentamos que a adoção de abordagens de precaução para a tomada de decisão implicaria necessariamente o reconhecimento da importância das formas qualitativas de incerteza, o que ajudaria a promover uma governança socialmente mais robusta e transparente deste campo emergente de desenvolvimento de tecnologia.
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