Preliminares de uma Análise Metalinguística do Desacordo sobre a Humildade Intelectual

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1808-1711.2025.e97335

Palavras-chave:

Humildade Intelectual, Epistemologia das Virtudes, Análise Metalinguística, Desacordo

Resumo

O desacordo sobre a definição de humildade intelectual é genuíno? Dunnington (2017) argumenta que não, por não haver um conceito comum de humildade intelectual em uso nas diferentes teorias. Em vez de discordarem sobre as condições necessárias e suficientes de um mesmo conceito de humildade intelectual, os filósofos estariam usando “humildade intelectual” em sentidos diferentes. Por isso, o projeto de analisar humildade intelectual seria um projeto mal concebido, fadado a não alcançar um consenso sobre qual a definição correta. É verdade que o debate em torno da humildade intelectual carece de unidade quanto ao conceito expresso? Se for o caso, isso implica que o desacordo sobre a análise do termo não pode ser genuíno? Essas questões serão abordadas com base na noção de negociação metalinguística, tal como proposta por Plunkett e Sundell (2013), visando defender que o desacordo sobre humildade intelectual pode ser genuíno mesmo concedendo haver diversos conceitos de humildade intelectual em disputa. Enquanto desacordos genuínos canônicos envolvem uma disputa sobre um único conceito e as palavras têm o mesmo significado para todos os participantes, os desacordos metalinguísticos envolvem vários conceitos e diferentes usos das mesmas palavras. A análise metalinguística do debate sobre a humildade intelectual pode oferecer um entendimento aprofundado sobre o estado atual da pesquisa filosófica sobre humildade intelectual e sobre a possibilidade de se chegar a um consenso racional sobre o que é humildade intelectual. Seguindo essa abordagem, pode-se defender que o desacordo em questão pode ser genuíno.

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Publicado

2025-03-20