Policiais com maior aptidão aeróbia apresentam menos hiperresponsividade pressórica ao estresse mental
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-0037.2025v27e107121Palavras-chave:
Pressão arterial, Aptidão cardiorrespiratória, Saúde ocupacional, Estresse psicológico, Profissionais da políciaResumo
Aptidão aeróbia elevada tem sido associada à menor reatividade cardiovascular ao estresse. No entanto, essa relação permanece pouco explorada em profissionais expostos a elevados estressores. Este estudo avaliou se policiais com maior aptidão aeróbia apresentam menor reatividade da pressão arterial (PA) ao estresse mental. Um estudo transversal foi conduzido com 41 policiais militares divididos em baixa (n = 21) e elevada aptidão aeróbia (n = 20), com base no consumo médio de oxigênio de pico (VO₂pico). Os policiais foram submetidos ao Teste de Cor e Palavra de Stroop, com a PA e frequência cardíaca (FC) mensuradas em repouso e durante o estresse. A reatividade cardiovascular foi determinada a partir do delta pico (Δ) da PA sistólica (PAS) e diastólica (PAD) e da FC. Os policiais foram classificados como hiperrespondedores com base no percentil 75º desses deltas. Policiais com maior aptidão aeróbia não apresentaram menor reatividade da PAS. (↑VO₂peak: 19 ± 8 vs ↓VO₂peak: 19 ± 11 mmHg, p = 0,836), PAD (13 ± 5 vs 15 ± 6 mmHg, p = 0,276) e FC (12 ± 8 vs 8 ± 7 bpm, p = 0,102). No entanto, apresentaram menos hiperresponsividade para PAS (2 [18,2%] vs. 9 [81,8%], p = 0,018) e PAD (2 [20%] vs. 8 [80%], p = 0,036), sem diferença para FC (7 [70%] vs 3 [30%], p = 0,123). Em resumo, policiais militares com maior aptidão aeróbia não apresentam menor reatividade pressórica média ao estresse mental, mas demonstram menos hiperresponsividade.
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