Contando estórias feministas

Clare Hemmings

Resumo


Este artigo identifica e analisa as estórias dominantes que acadêmico/as contam a respeito do desenvolvimento da segunda onda da teoria feminista ocidental. Através do exame da produção recente de publicações interdisciplinares feministas e de teoria cultural, sugiro que, a despeito de uma retórica insistente sobre múltiplos feminismos, as trajetórias feministas ocidentais emergem de forma surpreendentemente singular. Critico, particularmente, uma narrativa insistente que vê o desenvolvimento do pensamento feminista como uma marcha incansável de progresso ou perda. Essa abordagem dominante simplifica a complexa história dos feminismos ocidentais, fixa autoras e perspectivas dentro de uma década específica e, repetida e erroneamente, posiciona feministas pós-estruturalistas como as ‘primeiras’ a desafiar a categoria “mulher” como sujeito e objeto do conhecimento feminista. Ao invés de propor uma história corretiva da teoria feminista ocidental, o artigo questiona as técnicas através das quais essa narrativa dominante é garantida, apesar de que tenhamos (nós, teóricas feministas) consciência disso. Meu foco, então, recai sobre padrões de citações, recortes discursivos e alguns de seus efeitos textuais, teóricos e políticos. Como alternativa, sugiro um realinhamento das principais teóricas (aquelas que efetuaram uma interrupção crítica na teoria feminista) com seus traços feministas no uso de citações, forçando assim o concomitante re-imaginar de nosso legado histórico e de nosso lugar dentro dele.

 


Palavras-chave


Perda; Pós-modernismo; Progresso; Anos 70; Feminismo Ocidental

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DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2009000100012

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.