A divisão sexual do trabalho no campo sob a perspectiva da juventude camponesa
DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n158051Resumen
A partir de narrativas juvenis, neste artigo analisa-se a divisão sexual do trabalho em áreas rurais, com foco nas tensões produzidas pelas diferenças geracionais. Os dados, obtidos a partir da metodologia da história de vida em quatro etapas de oficinas pedagógicas (2015-2016) realizadas com 150 jovens de duas escolas de assentamentos de reforma agrária no Paraná, revelam os impactos do trabalho genderizado no processo de socialização da juventude camponesa. O estudo evidencia conflitos geracionais num contexto em mudança, bem como o impacto pedagógico e cultural advindo do acesso ao conhecimento sistemático e da problematização da temática, sobretudo, a revisão de preconceitos e a mudança de discursos, práticas e atitudes em direção à promoção da igualdade de gênero, notadamente, a partir da agência das jovens do campo.Descargas
Citas
ABRAMO, Helena. “Condição juvenil no Brasil contemporâneo”. In: ABRAMO, Helena; BRANCO, Paulo P. (Orgs.). Retratos da juventude brasileira. Análises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2005. p. 37-72.
AGARWAL, Bina. A Field of One’s Own: Gender and Land Rights in South Asia. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
AGUIAR, Vilênia V. P.; STROPASOLAS, Valmir Luiz. “As problemáticas de gênero e geração nas comunidades rurais de Santa Catarina”. In: SCOTT, Parry; CORDEIRO, Rosineide; MENEZES, Marilda (Orgs.). Gênero e geração em contextos rurais. Florianópolis: Mulheres, 2010. p. 159-183.
BOURDIEU, Pierre. The logic of practice. Cambridge: Polity Press, 1990.
BOURDIEU, Pierre. “Habitus”. In: HILLIER, Jean; ROOKSBY, Emma (Eds.). Habitus: a Sense of Place. 2. ed. Surrey: Ashgate, 2005. p. 43-48.
BUTLER, Judith. “Performative Acts and Gender Constitution: An Essay in Phenomenology and Feminist Theory”. Theatre Journal, Curitiba, v. 40, n. 4, p. 519-53, Dec. 1988.
BUTLER, Judith P. Gender trouble: feminism and the subversion of identity. New York: Routledge, 1990.
CAMPOS, Christiane S. A face feminina da pobreza em meio à riqueza do agronegócio. Buenos Aires: CLACSO, 2011.
CASTRO, Elisa G. de. Entre Ficar e Sair: uma etnografia da construção social da categoria jovem rural. 2005. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
CASTRO, Elisa G. de. “Juventude rural no Brasil: processos de exclusão e a construção de um ator político”. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, Manizales, v. 7, n. 1, p. 179-208, jan./jun. 2009.
CHANT, Sylvia H.; CRASKE, Nikki. Gender in Latin America. London: Latin American Bureau, 2003.
CONNELL, Robert W. Masculinities. 2. ed. Cambridge: Polity Press, 2005.
CONNELL, Robert W.; MESSERSCHMIDT, James. “Masculinidade hegemônica: repensando o conceito”. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 241-282, jan./abr. 2013.
DEERE, Carmen Diana; LEÓN, Magdalena. Empowering Women: Land and Property Rights in Latin America. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 2001.
ESMERALDO, Gema G. “O protagonismo político de mulheres rurais por seu reconhecimento econômico e social”. In: NEVES, Delma P.; MEDEIROS, Leonilde S. de (Orgs.). Mulheres camponesas: trabalho produtivo e engajamentos políticos. Niterói: Alternativa, 2013. p. 237-256.
FARIA, Nalu. “Economia feminista e agenda de luta das mulheres no meio rural”. In: BUTTO, Andrea (Org.). Estatísticas rurais e a economia feminista: um olhar sobre o trabalho das mulheres. Brasília: NEAD, 2009. p. 11-28.
FOLBRE, Nancy. “Cleaning house: New perspectives on Households and Economic Development”. Journal of Development Economics, v. 22, n. 1, p. 5-40, June 1986.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
HEREDIA, Beatriz M. A. de. A morada da vida: trabalho familiar de pequenos produtores do Nordeste do Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
JACOBS, Susie. Gender and Agrarian Reform. New York; London: Routledge, 2010.
KERGOAT, Danièle; HIRATA, Helena. “Novas configurações da divisão sexual do trabalho”. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 595-609, set./dez. 2007.
MARRE, Jacques L. “História de Vida e Método Biográfico”. Cadernos de Sociologia, Porto Alegre, v. 3, n. 3, p. 89-141, jan./jul. 1991.
PAULILO, Maria Ignez. “O peso do trabalho leve”. Revista Ciência Hoje, Rio de Janeiro, v. 5, n. 28, p. 64-70, 1987.
PORTELLI, Alessandro. “What Makes Oral History Different”. In: PERKS, Robert; THOMSON, Alistair (Eds.). The Oral History Reader. 2. ed. London; New York: Routledge, 2006. p. 32-42.
RAZAVI, Shahra. “Engendering the political economy of agrarian change”. Journal of Peasant Studies, London, v. 36, n. 1, p. 197-226, 2009.
RENK, Arlene; BADALOTTI, Rosana Maria; WINCKLER, Silvana. “Mudanças sócio-culturais nas relações de gênero e inter-geracionais: o caso do campesinato no Oeste Catarinense”. In: SCOTT, Parry; CORDEIRO, Rosineide; MENEZES, Marilda (Orgs.). Gênero e geração em contextos rurais. Florianópolis: Mulheres, 2010. p. 367-390.
SALES, Celecina de M. V. “Mulheres jovens rurais: marcando seus espaços”. In: SCOTT, Parry; CORDEIRO, Rosineide; MENEZES, Marilda (Orgs.). Gênero e geração em contextos rurais. Florianópolis: Mulheres, 2010. p. 423-448.
SCHWENDLER, Sônia F. “The Construction of the Feminine in the Struggle for Land and in the Social Re-creation of the Settlement”. In: VIEIRA, Else (Ed.). The Sights and Voices of Dispossession: The Fight for the Land and the Emerging Culture of the MST. London: Queen Mary University of London, 2003. Disponível em http://www.landless-voices.org/vieira/archive-05.php?rd=CONSTRUC567&ng=e&sc=3&th=42&se=0. Acesso em 05/03/2018.
SCHWENDLER, Sônia F. Women’s Emancipation through Participation in Land Struggle. 2013. PhD. (Iberian and Latin American Studies) – Queen Mary University of London, London, England.
SCHWENDLER, Sônia F. “O processo pedagógico da luta de gênero na luta pela terra: o desafio de transformar práticas e relações sociais”. Educar em Revista, Curitiba, n. 55, p. 87-109, jan./mar. 2015.
SCHWENDLER, Sônia F.; VIEIRA, Else R. P. (Eds.). Landless Voices II: Gender and Education/Vozes Sem Terra II: Gênero e Educação. London: Queen Mary University of London, 2016. Disponível em http://landless-voices2.org/. Acesso em 18/02/2018.
SCHWENDLER, Sônia F.; THOMPSON, Lúcia Amaranta. “An education in gender and agroecology in Brazil’s Landless Rural Workers’ Movement”. Gender and Education, London, v. 29, n. 1, p. 100-114, 2017.
SEN, Amartya. “Gender and Cooperative Conflicts”. In: TINKER, Irene (Ed.). Persistent Inequalities: Women and World Development. New York: Oxford University Press, 1990. p. 123-149.
SILVA, Carmen; PORTELLA, Ana Paula. “Divisão sexual do trabalho em áreas rurais no nordeste brasileiro”. In: SCOTT, Parry; CORDEIRO, Rosineide (Orgs.). Agricultura familiar e gênero: práticas, movimentos e políticas públicas. Recife: EDUFPE, 2006. p. 127-144.
STROPASOLAS, Valmir Luiz. “Juventude Rural: uma categoria social em construção”. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 12, 2005, Belo Horizonte, Sociedade Brasileira de Sociologia. Anais... Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Sociologia, 2005. Disponível em http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=64&Itemid=171. Acesso em 22/04/2016.
THOMPSON, Paul. The Voice of the Past: Oral History. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 1988.
WALBY, Sylvia. Gender Transformations. Routledge: London, 1997.
WEISHEIMER, Nilson. “Sobre a situação juvenil na agricultura familiar”. In: LEÃO, Geraldo; ROCHA, Maria Isabel A. (Orgs.). Juventudes do Campo. Belo Horizonte: Autêntica, 2015. p. 31-52.
WOORTMANN, Ellen F.; WOORTMANN, Klaas. O trabalho da terra: a lógica e a simbólica da lavoura camponesa. Brasília: EDUnB, 1997.
VIEIRA, Catarina. As relações de gênero na organização da juventude Sem Terra. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.
VIEIRA, Else R. P. “The Landless Voices Database: A Trajectory from Cultural Studies to Pedagogical Impact”. Educar em Revista, Curitiba, n. 55, p. 69-86, jan./mar. 2015.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
La Revista Estudos Feministas está bajo licencia de la Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite compartir el trabajo con los debidos créditos de autoría y publicación inicial en este periódico.
La licencia permite:
Compartir (copiar y redistribuir el material en cualquier medio o formato) y/o adaptar (remezclar, transformar y crear a partir del material) para cualquier propósito, incluso comercial.
El licenciante no puede revocar estos derechos siempre que se cumplan los términos de la licencia. Los términos son los siguientes:
Atribución - se debe otorgar el crédito correspondiente, proporcionar un enlace a la licencia e indicar si se han realizado cambios. Esto se puede hacer de varias formas sin embargo sin implicar que el licenciador (o el licenciante) haya aprobado dicho uso.
Sin restricciones adicionales - no se puede aplicar términos legales o medidas de naturaleza tecnológica que restrinjan legalmente a otros de hacer algo que la licencia permita.


