Desigualdade de acesso ao Programa Ciência sem Fronteiras: uma interlocução com a perspectiva dos estudos de gênero

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n166177

Palavras-chave:

Mulheres, Ciência sem Fronteira, Divisão sexual na formação, Internacionalização acadêmica.

Resumo

Este artigo se propõe a apresentar e discutir parte de uma pesquisa mais ampla expondo o perfil sociológico do bolsista do Programa Ciência sem Fronteiras sob as perspectivas da divisão sexual nas áreas de conhecimento e na mobilidade acadêmica internacional. O enfoque engloba a análise da participação das mulheres nessa mobilidade, no âmbito do País, e estreita-se de modo mais detalhado sobre o campus empírico do estudo, que é a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A discussão central aborda o percentual de mulheres que participaram do Programa Ciência sem Fronteiras, indagando as possíveis razões que impactaram essa participação tanto sob a perspectiva da literatura que investiga a divisão sexual na pesquisa científica no Brasil quanto da proficiência linguística. Ademais, estabelece-se uma comparação entre o contingente feminino de bolsistas no Programa Ciência sem Fronteiras e outros programas de mobilidade acadêmica no mundo.

Biografia do Autor

Catarina Barbosa Torres Gomes, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)

Professora de Filosofia e Sociologia do CEFET-MG. Doutora e Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da UFMG. Graduação e Especialização em Filosofia pela UFOP e graduação em Pedagogia.

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2021-07-21

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Artigos