Transmasculinidades no esporte: entre corpos e práticas dissonantes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n279366

Palavras-chave:

transmasculinidades, esporte, corporalidades

Resumo

Abordamos neste artigo as práticas esportivas como formas de subjetivação transmasculina. Partimos da emergência de times de futebol e futsal compostos apenas por homens trans e transmasculinos, a presença de pessoas transmasculinas em um time de rúgbi inclusivo às diversidades sexuais e de gênero, e do encontro com um praticante de duátlon. Através de pesquisa de campo na cidade de São Paulo (2019-2020), que incluiu observação participante e realização de entrevistas, percebemos que as equipes trans e LGBTI+ se configuram como espaço de sociabilidade, mas também de questionamento e construção de masculinidades dissidentes. Os corpos e corporalidades transmasculinas nos esportes apontam para as práticas esportivas dissonantes.

Biografia do Autor

Julian Pegoraro Silvestrin, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UFSC), bolsista CAPES-DS. Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (NEPESC/UFSC).

Alexandre Fernandez Vaz, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutor pela Leibniz Universität Hannover, Alemanha; Professor do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFSC). Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (NEPESC/UFSC). Pesquisador CNPq.

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Publicado

2021-10-21

Edição

Seção

Gênero, tecnologias e (novas) formas de subjetivação nas práticas esportivas