Visualidade computacional e fissuras do pós-digital: uma aproximação às imagens invisíveis de Trevor Paglen

André Góes Mintz

Resumo


Este artigo tem por objetivo descrever aspectos de uma visualidade computacional reflexivamente abordados em alguns trabalhos recentes do artista estadunidense Trevor Paglen. Buscamos, neste esforço, descrever configurações particulares da visão enquanto construto histórico e sociotécnico, que hoje seria marcado pela mediação, cada vez mais difundida, de tecnologias de visão computacional. Situamos tal questão em relação à discussão do pós-digital, categoria que visa nomear um estágio avançado de inserção das tecnologias digitais no mundo contemporâneo. Argumentamos que o trabalho de Paglen, ao abordar reflexivamente as mediações computacionais do visível, tensiona certas perspectivas da estética pós-digital que se caracterizam por uma naturalização da mediação digital e de seu abandono como categoria distintiva.


Palavras-chave


Visão Computacional; Visualidade Computacional; Imagem Operativa; Pós-digital; Trevor Paglen

Texto completo:

PDF/A

Referências


BERRY, David M.; DIETER, Michael. Thinking postdigital aesthetics: art, computation and design. In: BERRY, David M.; DIETER, Michael (Eds.). Postdigital Aesthetics. London: Palgrave Macmillan UK, 2015. p. 1–11.

BRIDLE, James. The New Aesthetic. 2012. Disponível em: . Acesso em: 3 jun. 2018.

BRUNO, Fernanda. Contramanual para câmeras inteligentes: vigilância, tecnologia e percepção. Galáxia, São Paulo, n. 24, p. 47-66, dez. 2012.

CRAMER, Florian. What is “Post-digital”? In: BERRY, David M.; DIETER, Michael (Eds.). Postdigital Aesthetics. London: Palgrave Macmillan UK, 2015. p. 12–26.

CRARY, Jonathan. Techniques of the observer: on vision and modernity in the nineteenth century. Cambridge: MIT Press, 1992.

FAROCKI, Harun. Phantom Images. Public, Toronto, n. 29, p. 13-22, 2004. Disponível em: . Acesso em: 3 jun. 2018.

FLORES, Luís Felipe Duarte. Reconhecer a imagem, perseguir a história: crítica da visibilidade técnica no cinema de Harun Farocki. In: XXV ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS 2016, Goiânia. Anais... . Goiânia: Universidade Federal de Goiás / Compós, 2016.

FOSTER, Hal. Preface. In: FOSTER, Hal (Ed.). Vision and Visuality. Seattle: Bay Press, 1999. p. ix–xiv.

LE, Quoc V. et al. Building high-level features using large scale unsupervised learning. ArXiv:1112.6209 [cs], 2011. Disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2015.

LEVIN, Golan. Computer vision for artists and designers: pedagogic tools and techniques for novice programmers. AI & SOCIETY, London, v. 20, n. 4, p. 462–482, 2006. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2017.

MANOVICH, Lev. The engineering of vision from constructivism to computers. 1993. Tese (doutorado) - University of Rochester, 1993. Disponível em: . Acesso em: 12 set. 2013.

MINTZ, André. Máquinas que veem: visão computacional e agenciamentos do visível. In: MENOTTI, Gabriel; BASTOS, Marcus; MORAN, Patrícia (Orgs.). Cinema Apesar da Imagem. São Paulo: Intermeios, 2016. p. 157–175.

PAGLEN, Trevor. Operational Images. e-flux Journal, n. 59, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2017.

PAGLEN, Trevor. Invisible Images (Your Pictures Are Looking at You). The New Inquiry, New York, 2016. Disponível em: . Acesso em: 30 maio. 2018.

PAUL, Christiane. Genealogies of the digital: a post-critique. In: ERTAN, Ekmel (Ed.). Dijital Sonrasi Tarihçeler / Histories of the post-digital. Istambul: Amber platform, Akbank Sanat, 2015. p. 121–130.

PAUL, Christiane; LEVY, Malcolm. Genealogies of the new aesthetic. In: BERRY, David M.; DIETER, Michael (Eds.). Postdigital Aesthetics. London: Palgrave Macmillan UK, 2015. p. 27–43.

SEKULA, Allan. The body and the archive. October, v. 39, p. 3–64, 1986.

VAN DIJCK, José. The Platform Society. Palestra conferida na abertura do encontro anual da Association of Internet Researchers de 2016. Berlin: Alexander von Humboldt Institut für Internet und Gesellschaft; Association of Internet Researchers. 2016. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2017.

VIDAL JUNIOR, Ícaro Ferraz. Invisibilidade, superficialidade e plasticidade: três hipóteses sobre as câmeras inteligentes. Galáxia, São Paulo, n. 31, p. 156–167, 2016. Disponível em: . Acesso em: 3 jun. 2018.

VIRILIO, Paul. A máquina de visão. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.

WANG, Yilun; KOSINSKI, Michal. Deep neural networks are more accurate than humans at detecting sexual orientation from facial images. Journal of personality and social psychology, v. 114, n. 2, 2018.




DOI: https://doi.org/10.5007/1807-9288.2018v14n1p75



Direitos autorais 2018 André Góes Mintz

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Texto DigitalUniversidade Federal de Santa CatarinaFlorianópolisSanta Catarina, Brasil. ISSNe 1807-9288

 

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.