O estilo de Coelho Neto em Miragem e a crítica literária brasileira: uma verificação estilométrica
DOI :
https://doi.org/10.5007/1807-9288.2025.e106804Mots-clés :
Coelho Neto, Miragem, Estatística textual computadorizada, Estilometria, Crítica literária brasileiraRésumé
Este artigo analisa as características do estilo de Coelho Neto em Miragem (1895). Faz uma reanálise das enunciações da crítica literária brasileira sobre a diversidade vocabular, a riqueza lexical e o uso de adjetivos, verbos e advérbios no estilo do autor. Para tanto, utilizamos a estatística textual computadorizada, denominada também de estilometria literária. A fim de compararmos, ainda, o estilo de Coelho Neto com o estilo dos escritores realista-naturalistas, juntamos Miragem aos romances O Cortiço (1890), Bom-Crioulo (1895) e Dom Casmurro (1900), respectivamente de Aluísio Azevedo, Adolfo Caminha e Machado de Assis, contemporâneos de Coelho Neto. Os dados do corpus foram retirados da ferramenta de estatística textual computadorizada Hyperbase. Dos resultados obtidos, analisamos a diversidade do vocabulário e a riqueza lexical nas obras por meio das ocorrências de hápax, as ocorrências de adjetivos e de adjetivo seguido de adjetivo, as ocorrências de verbos, as ocorrências de advérbios e, por fim, fizemos uma análise fatorial de classes gramaticais no corpus. As leituras quantitativas e qualitativas, a partir de uma verificação estilométrica comparativa, bem como da fortuna crítica do autor, comprovaram a diversidade do vocabulário, a riqueza lexical e apontaram que o uso de adjetivos, verbos e advérbios no estilo de Coelho Neto não é tão exagerado, como enuncia a crítica especializada, principalmente se comparado aos estilos de Azevedo, Caminha e Assis, que apresentaram características estilísticas similares ao estilo do autor de Miragem.
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