Brincadeira de faz de conta racializada: práxis antirracista e outras narrativas na creche
DOI:
https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e109502Palavras-chave:
Educação Infantil, Relações Étnico-Raciais, Prática Pedagógica Antirracista, Brinquedos Racializados, Materialidade CotidianaResumo
O artigo discute a centralidade dos marcadores sociais da diferença, com especial ênfase nas relações étnico-raciais e nos processos de racialização, no âmbito da Educação Infantil. Compreendendo o brincar, as interações e a brincadeira de faz de conta como direitos fundamentais e eixos estruturantes pelos quais as crianças produzem cultura e significam o mundo, o estudo analisa como brinquedos e artefatos lúdicos atuam como suportes de representações sociais e vetores de poder. A partir de um mapeamento histórico e contemporâneo de investigações sobre a identificação étnico-racial na infância, evidencia-se como as crianças pequenas assimilam e reproduzem assimetrias e hierarquizações corporais herdadas da matriz colonial. Frente a esse cenário, o artigo apresenta e analisa o relato de uma práxis pedagógica antirracista, desenvolvida com crianças bem pequenas em uma creche pública no município de São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, cuja comunidade é majoritariamente negra. Alinhada aos pressupostos de Paulo Freire e Kabengele Munanga, bem como às diretrizes curriculares nacionais, a prática investigada demonstra como a intencionalidade docente e a estruturação de dimensões cotidianas — tais como o acolhimento, a literatura infantil afirmativa, a seleção de brinquedos representativos, as vivências com a natureza e as expressões estéticas e musicais — são capazes de fraturar o racismo institucional e mercantil. Conclui-se que a mediação pedagógica crítica e a qualificação da cultura material e espacial nas instituições de educação infantil são fatores determinantes para desestabilizar discursos hegemônicos, promovendo o fortalecimento da autoestima, a positivação dos corpos negros e a consolidação de identidades infantis plurais e emancipatórias.
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