Filhas de Oxum! Maternidades em devir-água na Amazônia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e111637

Palavras-chave:

Maternidades, Água, Devir, Cuidado, Ecofeminismos

Resumo

O artigo ensaia o pensar as maternidades (im)possíveis a partir da condição de sermos filhas da água, no território do encontro entre os rios Negro e Solimões, na Amazônia. Tem como objetivo compreender a maternidade como prática expandida de cuidado, para além da biologia, articulando escritas de si, eco feminismos e cosmo percepções afrodiaspóricas de Oxum. Metodologicamente, mobiliza uma narrativa autobiográfica inventiva como modo de investigação, acionando memórias, experiências corporais com a água e relações comunitárias de cuidado. As reflexões apontam que as maternidades emergem como fluxos relacionais e coletivos que sustentam infâncias, territórios e modos de educar. Nesse movimento, o devir-água se apresenta como sensibilidade que produz uma ética do cuidado situada, em que maternar e educar se fazem como práticas políticas, corporais e em travessia.

Biografia do Autor

Maria Jucicléia da Silva Lima, Universidade do Estado do Amazonas

Especialista em Ensino da Língua Portuguesa e suas literaturas. Mestranda em Educação em Ciências na Amazônia na Universidade do Estado do Amazonas, no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências na Amazônia.

Eriane da Silva Lima, Universidade do Estado do Amazonas

Mestranda em Educação em Ciências na AmazôniaMestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências na Amazônia (PPGEEC) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), turma 2025. Possui Licenciatura em Pedagogia pela mesma instituição. Sua formação e atuação atual estão voltadas para a área de Educação em Ciências, com foco em pesquisas e práticas desenvolvidas no contexto amazônico.Tem experiência profissional como Brinquedista no Laboratório de Ensino, Pesquisa e Experiências Transdisciplinares em Educação (LEPETE/UEA). Atuou como Apoio Técnico e como membro do corpo editorial da Revista Areté (PPGEEC/UEA), contribuindo diretamente para a produção e disseminação do conhecimento na área.Membro do Coletivo de Mulheres Agricultoras e Empreendedoras (CMAE) do município do Careiro no Amazonas.

Caroline Barroncas de Oliveira, Universidade do Estado do Amazonas

Doutora em Educação em Ciências e MatemáticaPossuo graduação em Normal Superior pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA (2007). Especialização em Supervisão Educacional pela Universidade Federal do Amazonas-UFAM (2008). Especialização em Gestão para o Etnodesenvolvimento (Antropologia) pela Universidade Federal do Amazonas-UFAM (2008). Mestrado em Ensino de Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA (2010). Doutorado em Educação em Ciências e Matemática pela Rede Amazônica em Educação em Ciências e Matemática / REAMEC-UFMT; UFPA e UEA, (2020). Professora Adjunta do Curso de Licenciatura em Pedagogia e do PPG em Educação em Ciências na Amazônia da UEA. Coordenei o Curso de Licenciatura em Pedagogia da Escola Normal Superior - ENS/UEA (2021-2023). Coordenei o Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências na Amazônia - PPGEEC/UEA (2023-2026), PPG nota 05 em 03 quadriênios. Componho a liderança do Grupo de Estudos e Pesquisa Vidar em In-tensões, mobilizando pesquisas e projetos de extensão em currículos vivos com as gentes dos rios e das florestas, bem como articulando parcerias regionais, nacionais e internacionais com pesquisadores que investigam em um viés multi e interdisciplinar processos em Educações, Arte, Ciências e Saberes Ancestrais. Tenho experiência na área de Educação e Ensino de Ciências, com ênfase em formação de professor, atuando principalmente nos seguintes temas: Formação de professores em Educação em Ciências, Currículo, Práticas de Subjetivação e Narrativas (Auto)biográficas no viés pós-estrutural.

Professora Adjunta da Universidade do Estado do Amazonas

Referências

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. v. 4. São Paulo: Editora 34, 1997.

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

FEDERICI, Silvia. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante, 2019.

HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. Tradução: Ana Luiza Braga. São Paulo: n-1 edições, 2023a.

HARAWAY, Donna. A reinvenção da Natureza: símios, ciborgues e mulheres. Tradução: Rodrigo Tadeu Gonçalves. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2023b.

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p. 20–28, 2002.

MIES, Maria; SHIVA, Vandana. Ecofeminismo. Tradução: Fernando Dias Antunes. Lisboa: Instituto Piaget, 1993.

OYĚWÙMÍ, Oyeronke. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

OLIVEIRA, Caroline; COSTA, Mônica; AIKAWA, Monica. Retrato da autobiografia enquanto coisa. ClimaCom – Ciência. Vida. Educação [online], Campinas, ano 10, n. 24., mai. 2023. Disponível em: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/retrato/ Acesso em: 20 mar. 2024.

PUIG DE LA BELLACASA, María. Matters of Care: Speculative Ethics in More than Human Worlds. University of Minnesota Press, 2017.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

Publicado

2026-10-13

Edição

Seção

Dossiê: Maternidades (im) possíveis: educar, cuidar e transbordar afetos em devir-infâncias de direitos!