Muito riso, pouco siso? O momento da galhofa e os usos sociais da (in)visibilidade dos corpos por crianças em idade escolar num ATL

Rita Maria Ribeiro Gonzalez

Resumo


O argumento de que as crianças, individuais e colectivamente, são actores sociais competentes nos usos sociais que fazem dos seus corpos para se expressarem e afirmarem estrategicamente face ao poder e saber adultos e entre si, fundamenta-se nas Sociologias da Infância, do Corpo e do Lazer e apoia-se na observação participante de um grupo de crianças frequentadoras de um ATL urbano. A análise de momentos de “galhofa” - marcados por expressões corporais verbais e não- verbais, exaltantes e exacerbadas, que irrompiam no(s) grupo(s) de crianças e criavam situações inusitadas, cómicas e bizarras -, ao intersectarem tanto as interacções entre adulto-crianças como entre estas no quotidiano do ATL, permite revelar i) facetas das culturas de pares infantis carregadas de sentidos significativos e veiculadas por uma expressividade de fácil compreensão, porque partilhada entre os membros do grupo; ii) outros modos de interpretação do colectivo infantil que é crítico do funcionamento do ATL; iii) as respectivas dificuldades adultas para interpretarem a “galhofa” do ponto de vista das crianças; iv) a participação de crianças em instituições socioeducativas em que a extrema visibilidade e ludicidade exacerbada constituem modos privilegiados de reivindicarem um tempo livre que possa ser seu.


Palavras-chave


Educação Infantil; Infância; Corpo; Tempo; Galhofa; ATL

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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2008n18p1

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.