O uso de grupos focais na pesquisa etnográfica com crianças

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4512.2019v21n40p318

Palavras-chave:

Grupo focal, Criança, Metodologia, Etnografia, Antropologia

Resumo

Partindo de experiências empíricas de pesquisa, o presente trabalho visa problematizar algumas questões metodológicas na pesquisa etnográfica com crianças. Destacaremos o uso da etnografia como metodologia principal, sobretudo quando se tem a possibilidade de realização de uma pesquisa prolongada, mas nos deteremos principalmente no uso da técnica dos grupos focais. O grupo focal pode auxiliar a etnografia em pesquisas menos prolongadas e com restrição orçamentária. A partir de experiências do Grupo de Pesquisa CRIAS – Criança, Sociedade e Cultura, da Universidade Federal da Paraíba, buscamos apresentar as vantagens e os limites da utilização dessa técnica de pesquisa que ainda é pouco explorada pelas ciências sociais e humanas e pelos estudos da infância.

Biografia do Autor

Flávia Ferreira Pires, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Professora dos Programas de  Pós-Graduação em Antropologia e Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bolsista produtividade do CNPq. Trabalha com crianças a partir da perspectiva dos novos estudos da infância e da antropologia da infância desde 2003, e é líder do grupo de pesquisa Crias: criança, sociedade e cultura na UFPB. É autora de textos que versam sobre metodologia de pesquisa com crianças, os efeitos do Programa Bolsa Família na vida das crianças e suas famílias, trabalho das crianças, religião e infância, dentre outros.

Patrícia Oliveira Santana dos Santos, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

Doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Brasil. Mestre em Antropologia, Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Membro do grupo de pesquisa “Crias: criança, sociedade e cultura”. Desde a graduação realiza pesquisa sobre a temática da infância, com e a partir das crianças do Nordeste brasileiro e atualmente tem se dedicado a pesquisar a infância rural na região do Agreste Pernambucano. 

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Publicado

2019-11-19